Archive for the ‘Uncategorized’ Category

Troncho nível 8

dezembro 27, 2012

De vez em quando estudo história recente do Brasil buscando vídeos no you tube. Tento entender o que acontecia ao meu redor quando eu era criança. Em 1986, por exemplo, eu tinha 8 anos e, enquanto provavelmente brincava de playmobil com o Germano, Antonio Carlos Magalhães, lá na Bahia, sorria para as câmeras após maltratar um repórter. Acho incrível, não só a grosseria e a falta de caráter que dá pra notar no gesto dissimulado de se inclinar para xingar-lhe ao ouvido ou pisar-lhe o pé. mas também na ainda ignorante noção de captação de som e imagem de uma equipe de tv. Incrível. E a Gal Costa adora esse cara.Ó minha honey baby, Aí o link.

 

diariomente

julho 4, 2010

Ler diários antigos é uma experiência estranha. Quando se tem 20 e o diário é de quando se tinha 13, ok. Mas quando se tem 32 e o diário é quando se tinha 21, é assustador.

Rio 3D

outubro 12, 2009

O Rio de Janeiro cabe numa caixa. Mas é uma caixa de brinquedo grande, cheio de fotos de um lado e de outro, nas laterais também. Uma criança pequena precisará de ajuda pra carregar. Ao abrir é preciso usar as duas mãos, e todas as pecinhas menores caem desmontadas no seu colo. Umas peças maiores ficam no fundo da caixa, como as pedras do Arpoador, coladinhas uma na outra, a mansão do Parque Laje, a águia do Theatro Municipal, o Sambódromo.

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Os arcos da Lapa vem em módulos pra encaixar, o trilho que se forma sobre eles merece cuidado. Certo, é bem possível que uma criança mais ninja decida que o bondinho podia ficar no hipódromo, por exemplo.

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O Cristo Redentor (que aparece bem grande na foto da embalagem) não é uma peça grande, é das pequeninas, cuidado pra não perder, daí é toda a brincadeira que pode perder um pouco o sentido. Mas sua base original, onde ele deve ser encaixado, é das grandes, não tem como não ver. E se caso você perder o Cristo, fica um buraco lá no alto.

Faz-se bem-vinda a ajuda de um adulto pra montar a parte das fiações. Sim, esse é um brinquedo que acende. E, se montado direitinho, é bem capaz que algumas crianças prefiram brincar à noite, com as luzes da sala apagadas. Só assim vai dar pra ver como a luz dá sentido a essa mini-cidade, assim como também vai ficar mais fácil entender porque o nome escrito lá na caixa é Rio 3D. Quando os fios são ligados direitinhos o bondinho do Pão de Açúcar aparece pendurado em supostos passeios noturnos, a Lagoa reflete as luzinhas de seu entorno, o Cristo Redentor fica iluminado dum jeito que pode ser visto por quase qualquer habitante-bonequinho da cidade, mesmo que o adulto-ajudante resolva, no meio da montagem, soltar uma baforada de cigarro sobre o brinquedo, nublando o céu. Como as crianças são bem menores e, ao contrário dos adultos, adoram sentar no chão e ver os brinquedos nessa perspectiva horizontal, elas vão sacar esse efeito na hora. É provável que algumas confundam os morros acesos em infinitas luzinhas mínimas – Rocinha, Alemão, Cantagalo, Maré – com um estranho arbusto de Natal, achando que essas partes da cidade passam a vida esperando Papai Noel ou algo assim. Aí você explica o que é o algo assim, ao invés do Papai Noel.

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Tem também peças feitas para voar e navegar.

Das coisas que voam – ou se suspendem, planam no ar – tem os helicópteros. Eles ficam na beira da Lagoa, prontos para um passeio por sobre toda a cidade, depois de montada. Mas tem pecinhas bem menores também, como os ultraleves e parapentes.
Essas saem das peças grandes como a Pedra da Gávea e passam pertinho de outra enorme que é o Morro Dois Irmãos.

Cuidado pras crianças menores de 4 anos não engolirem os ciclistas da Floresta da Tijuca.

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As mais bélicas vão adorar os comandos em ação cariocas, até tanques eles tem! As crianças menorzinhas podem até achar que aquelas bazucas e metralhadoras ficam melhores como varas de pesca cujas linhas se afundam na Lagoa Rodrigo de Freitas (sim, tem uns peixinhos minúsculos pra pôr ali). O fundo da Lagoa é uma das peças grandes. Depois de ser preenchida com água, a gente põe em sua superfície uns pedalinhos em forma de cisne. Ao redor da Lagoa é onde a gente põe, depois de rasgar o mesmo saco plástico, as bicicletas de formatos variados.

Todas as portas dos prédios importantes e antigos são parecidas com os chocolates-surpresa: retângulos marrons com desenhos em alto e baixo relevo. Cuidado para as crianças não morderem, adicionando ao desenho entalhado a marca dos dentinhos.

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Outras peças de encaixe mais complicado são as dos túneis e viadutos, assim como os elevados. Os túneis são especialmente difíceis de montar, já que é preciso encaixar por debaixo das peças grandes e não é só isso: eles acendem por dentro. Cuidado pra não esquecer nenhum carrinho dentro deles.

Ah, o Maracanã, peça imensa, também acende! Não vem com bola, nem poderia. E ali perto dele tem uma calçada que – se for devidamente montada – forma uma partitura e pode até tocar música se você pôr a pilha embaixo dela e fazer um bonequinho atravessá-la no passo certo. Um sambinha, olha só.

Tem uns bonequinhos, também: o Drummond sentadinho num banco, o Noel sendo servido por um garçom numa mesinha de bar e um estudante de desenho com uma prancheta no colo. O desenho que ele tá fazendo você decide o que é dependendo de onde você quer colocá-lo, mas não vai dar pra ver, ele é uma das pecinhas menores de todas. Só com uma lupa você vai notar que ele usa all-star.

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frutas nada secas

dezembro 27, 2008

são pilhas e pilhas de papéis, das mais diferentes origens. significados também. enchem caixas e prateleiras e gavetas, mas tá decidido, vão-se. existe a primeira triagem e as seguintes, cada vez mais inclementes, isso é um treino. se algo importante for pro lixo vai me voltar em sonho, tenho absoluta certeza. e já fiz as listas, já dicidi as cousas e não foi em pouco tempo.

na verdade passei o ano inteiro percebendo, avaliando, cada vez que batucava no painel do carro no sinal fechado, cada vez que sentei no meiodo nada pra fumar um cigarro, percebi, avaliei, mirei por trás da minha própria testa….

BUM

isso se vai.

o que ficar tem um suculento sumo. espremerei com gosto.

intermináveis primaveras

dezembro 11, 2008

parecem todos tão civilizados no msn. mas se coçam, aumentam o volume, se sacodem, tampam os olhos, bebem, vincam coisas invisíveis entre um e outro. dão até pulos, eu vejo daqui, que nem no dia que vi sem querer o menino estável dando pulos e cantando debaixo do chuveiro daquela casa de praia.

tem uma coisa que está prar começar. isso é lógico e óbvio e talvez por ser tão óbvio e lógico passe derpercebido, embora tão passível de constante celebração.

nao-subestime-corpo

o rapaz discreto

dezembro 3, 2008
visto de longe, em tela grande, a gente descobre que o Tempo é primo do dente-de-leão/einsteins.

visto de longe, em tela grande, a gente descobre que o Tempo é primo do dente-de-leão/einsteins.

por falar em pressa

novembro 28, 2008

o homem sozinho dirigiu a 140km por hora, de madrugada, uma distância de 40km, de jundiaí até osasco, disse o repórter, na rodovia Anhangüera NA CONTRAMÃO.

sem se desviar dos carros.

um policial rodoviário que vinha no sentido contrário conseguiu se desviar dele, bateu num sei onde e se machucou pouco. o homem dos 140km por hora só parou quando bateu de frente com um caminhão e morreu. o motorista do caminhão não se machucou, mas apareceu de costas na tela da minha tv de madrugada, em choque e não quis dizer nada.

o homem da contramão, segundo o cunhado e uma tia e um amigo era predreiro, estava feliz por estar comprando uma casa e tudo parecia muito bem.

Henry, mon ami!

novembro 15, 2008

Eu tive alguns tutores durante minha adolescência. Pessoas mais velhas, mais vividas e com histórias pra contar que me sussurravam baixinho uns conselhos, uns insights, umas passagens secretas. Estavam sempre por perto, de olho, eram quase amigos imaginários e eu conversava com eles na minha cabeça, no caminho do colégio pra casa. Henry Miller era um desses. Existe um livro pouco conhecido dele chamado The World of Sex, em que ele se explica e se fundamenta para além da fama de autor pornográfico. Existe uma passagem que sempre me volta e tem voltado muito esses dias. Ponho em inglês porque é lindo a maneira como ele escreve e depois tento uma tradução bem livreleve e solta:

 

Our laws and customs relate to social life, our life in commom, which is the lesser side of existence. Real life begins when we are alone, face to face with our unknown self. What happens when we come together is determined by our inner soliloquies. The crucial and truly pivotal events which mark our way are the fruits of silence and of solitude. We attribute much to chance meetings, refer to them as turning points in our life, but these encounters cold never have ocurred had we not made ourselves ready for them. If we possessed more awareness, these fortuitous encounters would yeld still great rewards. It is only at certains unpredictable times that we are fully atunned, fully expectant, and thus, in a position to receive the favours of the fortune. The man who is thoroughly awake knows that every “happening” is packed with significance. He knows that not only is his own life being altered, but that eventually the entire world must be affected.

 

agora a tecla sap:

 

Nossas leis e hábitos são relativas à nossa vida social, nossa vida em comum, que é o menor lado da existência. A vida real começa quando estamos sozinhos, face a face com o eu desconhecido. O que acontece quando estamos juntos é determinado pelos nossos solilóquios internos. Os acontecimentos cruciais e ___  (como se traduz “pivotal”?!) que marcam nosso caminho são frutos do silêncio e da solidão. Nós atribuímos muito aos encontros por acaso, nos referimos à eles como momentos decisivos de reviravolta em nossas vidas, mas eles jamais teriam ocorrido se não estivessemos nos preparado para eles. Se tivéssemos mais consciência, esses encontros fortuitos nos trariam ainda mais recompensas. É apenas em algumas épocas imprevisíveis, quando estamos completamente afinados, completamente abertos (não é a melhor palavra) e, por conseguinte, em posição de receber os favores da sorte. O homem que está profundamente acordado sabe que cada “acontecimento” vem embalado em significado. Ele sabe que não apenas sua própria vida, mas eventualmente a do mundo inteiro pode ser afetada.

 

Pronto. É, Henry Miller sabia das coisas.