Archive for the ‘tronchices’ Category

sousa

setembro 11, 2010

É uma cidade, não é uma pessoa.  Vim para 8 dias de trabalho, porém, faça um cálculo: 8 dias é 24 x 8 = 192 horas. Dessas 192 horas, minha obrigação era trabalhar apenas 24h. Mas vale. Sim. Compensa. O mundo moderno é assim. O que eu fiz no resto do tempo? Basicamente 4 coisas que se desdobram em várias:

estive com livros e papéis e canetas

dormi

andei pela cidade

conversei com gentes.

O meu trabalho é uma coisa muito estranha. Me demanda tanto tanto de concentração e plano e improviso e jogo de cintura e clareza de pensamento. E ao mesmo tempo é cheio de pausas longas e impossíveis pra quem trabalha 8h pordia/todo santo dia. E eis que havia uma cidade do interior da Paraíba toda disponível pros meus passeios. O diacho era o descompasso entre meu corpo e o ar ao redor dele. Minha pele descascou, o clima seco da maioria dos dias alternado com o ar-condicionado dos lugares logo me trouxe uma baita gripe equina.

Pois bem, Sousa. Motos por todos os lados, cachorros, casas novas, plástico, moscas, comanda sobre a mesa dos estabelçecimentos, computadores ninjas, lojas de marca, igreja sem uma das torres, sotaque muito lindo, carros de som infernais, e muitos muitos dinossauros.

ps. isso foi em julho de 2009, quando fui dar curso no Agosto pra Arte, do CCBNB de lá. Foi ótimo. Aqui você vê a viagem ilustrada – e os dinossauros, afvhajebvjbejkvaev

http://picasaweb.google.com.br/fernandaameireles/ZinesNoCCBNBDeSousaParaiba#

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cousas cousadas, pra agora.

março 20, 2010

- e você faz o que mesmo?

– Mulher tu devia estar rica. Tu sabe disso, né?

– Fernanda, você não é hippie.

– Tá muito barato vender por esse preço.

– Pois então, vamos ganhar dinheiro?

do que não se diz

setembro 27, 2009

chega em pausas

cada uma é uma página de dicionário

dicionário ilustrado dicionário em braille dicionário de sinônimos dicionário de antônimos dicionário dos dias do ano dicionário para traduzir cada uma das curvas de cada uma das linhas das estratificações das folhas daquele outro país.

mas tá valendo

julho 31, 2009

Some men here
They know the full extent of
Your distress
They kneel and pray
And they say :
Long may it last

 

 

é isso: they kneel

do joelho

knee

 

de estar de joelhos.

e saber.

they knew and pray

julho 31, 2009

é o verso mais bonito – se é que dá pra dizer – da música mais bonita – se é que dá pra escolher – do Morrissey. na verdade a melodia ganha das palavras nessa música. e estive muitoausente porque isso aqui não é vida real. é flash de sonho. é pisco de luz. é charme.

 

o mundo real acontece aqui: www.fotolog.com/cidadesolar

e aqui dentro.

sou pelos mergulhos.

fevereiro 23, 2009

peixes-abissais

não só os submarinos.

e peixes abissais são sempre bem-vindos. mesmo os que não acendem.

Sua casa, sua casca.

dezembro 1, 2008

Sua primeira casa, a de sua infância e a de sempre e única.

Está aí, estou vendo.

É o seu corpo.

CASA é CORPO.

No começo alguém cuida pra nós: limpa, arruma, conserta.

A casa muda com o tempo.

Uma fica grande, a outra encolhe.

Com que idade começamos a reconhecer como nossa?

A medida que ficamos sozinhos e as horas passam. O corpo é a casa.

Onde é a calçada?

E as fiações elétricas, os encanamentos, as tubulações?

No seu corpo, onde fica a janela, a cozinha, o banheiro e os corredores?

A partir de uma certa idade começamos a chamar pessoas de fora pra dentro de casa.

E a fazer visitas, também.

A visita não é quem passa em frente, é quem entra.

A visita tem um prêmio invisível: o convite.

A melhor visita não quebra nada, não mancha, não suja.

Ela deixa um bom perfume no ar. No travesseiro.

Ela traz presentes para a casa. Ela descobre até onde pode ir – área, sala, cozinha.

Quarto? Cama? Banheiro?

O corpo-casa se abre em espaços e impressões para a visita desejada.

Algumas são convidadas a ficar.

 

(Habita-me.

Aponto para meu peito e digo: Mora aqui.)

 

Podemos formar uma bela vizinhança móvel.

E é também por isso que deixo um Cidade Solar na sua porta.

 

 

 

 

 

 

 

Texto publicado originalmente no zine Cidade Solar #49 e na Antologia Massanova (projeto puxado pelo Carlos Emílio Correa Lima) com mais trocentos povos, dentre eles a Annak e a Flávia Oliveira. Adoro usar esse texto como starter para uma oficina de zine, funciona sempre.

a poeira

julho 30, 2008

50% de toda a poeira de uma casa é feita de material orgânico velho. de quem mora na casa.

muito bizarro.

já não bastavam os filmes…

julho 19, 2008

…ele tem um livro.

julho 19, 2008