Archive for fevereiro \16\UTC 2010

Nosso Own Private Idaho

fevereiro 16, 2010

Até hoje me pergunto: como foi que Gus Van Sant fez aquela casa cair do céu e se espatifar na estrada? Quando eu vi esse filme eu nem sonhava que ia encontrar meninos parecidos com eles. O menino que nem parece, mas é tão frágil. (E era). Ele apaga na rua, entre estranhos, sem tomar nadinha. Estava procurando a mãe, enquanto ganhava pra se dar a gente muito esquisita. Gostava de ir na garupa do outro, do que era muito rico e tão perdido quanto o primeiro. As amizades que se confundem, as linhas invisíveis. Aqui,um dicionário é pouco.

Em português ficou Garotos de Programa. Porque eles empobrescem tanto os títulos, Senhor?

carnaval

fevereiro 14, 2010

Não é fácil, mas é possível. E frequente. Carnaval, Natal, Reveillon, sábado e domingo, é tudo a mesmo coisa. Não são datas que me fazem viajar. Eu estou aqui e aqui permaneço. Tem tanta coisa pra fazer em casa. Eu tenho que escrever MUITO. Há tempos meu trabalho ignora horário comercial e dias úteis. Há anos, muitos anos. É outro calendário. Esse carnaval é, em parte, como muitos outros carnavais e feriados: em casa, colocando os papéis em ordem e escrevendo linhas e linhas. A grande diferença é o tanto de amigo/casa que virou convite e minha necessidade – crescente – de aqui estar.

Aí fico pensando em cousas tronchas enquanto escrevo:

1. o tanto de gente on line e off line, cada um com suas cousas cousadas.

2. que já já arribarei de novo.

3. que o carnaval faz tanta zoada, mas, na maior parte do tempo, faz um silêncio incrível aqui, nessa parte da cidade solar.

4. as pessoas se convidam mais que se visitam, nessa altura dos aniversários.

5. pavão misterioso realmente me faz chorar.

6. new order também.

7. google me mete medo enquanto facilita minha vida.

8. preciso de mapas.

9. toda carta é mapa. por natureza.

quem não deixaria?

fevereiro 14, 2010

Vi “Deixa ela Entrar”, o filme sueco de vampiro – vampira, na verdade – que se passa em Estocolmo, 1982. Gostei por vários motivos. Um: os vilões não falam muito. Aliás, ninguém fala muito, daí ser cinema puro. Dois: filmes em que os personagens ainda estão virando gente grande muito me agradam. Três: filmes de outras épocas também e 82 tá valendo. Quatro: o filme consegue ter cenas bizarras e belas, uma combinação rara. Cinco: os protagonistas são losers, cada um a sua maneira. Seis: a natureza sensual dos vampiros está lá – é uma coisa de pele e de debaixo da pele, certo? Sete: dá pra supor o que vai acontecer, mais ainda assim vem de um jeito surpreendente. Oito: parece que antes de ser filme era um livro! Nove: me lembrou O Pequeno Vampiro, um dos meus livros preferidos na infância. Dez: tem uma cena troncha com gatos. Onze: outra de auto-combustão também. Doze: na hora do arranca-rabo a câmera não sai do fundo da piscina. Treze: tá ali a natureza humana, sabe deus porque ele e ela se deram tão bem.

Catorze: esse ator é o novo Tadzio. Vide: Morte em Veneza.

pessoinhas na cidade

fevereiro 5, 2010

Tem um livro chamado Little People in the City, que dei de presente pro meu melhor amigo. É de um cara que faz pessoas milimétricas e põe no meio da rua, compõe umas cenas e fotografa. Os títulos das fotos – que viraram as páginas dos livros – são bobos. Mas a idéia geral é assustadoramente linda. Reza a lenda que, depois de fotografadas, ele deixa as pessoinhas lá, ao léu.

tipo isso.

Aí eu cheguei no Dragão do Mar e lá estava uma coisa que esse cara devia ter gostado:

eu sempre me pergunto porque os arquitetos não decidem viver de fazer gente ao invés de prédios.

Ah, eu num sei se gosto da idéia do Aquário na Praia de Iracema, não. E pra que construir, se já vem A Grande Onda?

fevereiro 2, 2010

Voltei de um canto longe. Lá, os insetos desistiram. Eu via miragens na neve. De verdade, o maisde verdade que isso pode ser: miragens na neve. Faz um enorme sentido, os físicos não precisam explicar.

um de janeiro. quero de novo.