Archive for setembro \28\UTC 2009

ei, você aí

setembro 28, 2009

enquanto os correios saem da greve.

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laerte, ailouviu

setembro 27, 2009

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do que não se diz

setembro 27, 2009

chega em pausas

cada uma é uma página de dicionário

dicionário ilustrado dicionário em braille dicionário de sinônimos dicionário de antônimos dicionário dos dias do ano dicionário para traduzir cada uma das curvas de cada uma das linhas das estratificações das folhas daquele outro país.

bateu o Caeiro

setembro 13, 2009

Do que você realmente precisa? Água, comida, banho, uma cama, repouso. Papel e caneta. Roupas. Não muitas. (Nas melhores partes da vida estamos sem elas). Memorabilias não são pra sempre. Memorabilias são tocáveis e perecíveis. Podem ajudar a dar uma linha lógica – ? – à uma existência. O que você precisa carregar com você pra continuar sendo você mesmo? Carregar pressupõe peso. Levar é melhor. Levar é de um jeito menor e ainda assim tão maior.

– Enrico, você num tem problema de jogar um monte de coisa fora? Assim, juntar tudo numas caixas e pluncs, adeus! Se desfazer delas.

– Oura, a gente se desfaz dum monte de células todo dia e nem sente falta.

o peixim que morava dentro da montanha

setembro 12, 2009

No Caxitoré a gente pode jogar pingue pongue. Depois de 2h e meia de viagem sertão adentro, a gente chega na casa grandona e bonita pra beber água de côco, ver soín comendo fruta da mão da gente, papagaios namorando, pavão empinando o rabo no sol, fazer fogueira e se cortar nos gravetos, prosear balançando na rede e sentir o ventinho frio da manhã misturado no cheiro de café que a família do Bob faz.

Lá celular não pega. As mensagens mais bonitas do mundo só me chegaram na volta, depois de cruzar alguma barreira invisível de raiozinhos. Lá a gente pode andar sem nada nas mãos, só um galho seco pra ir fazendo rabisco na terra ou um tamarindo bem travoso na boca já resolvem.

Eu ainda levo é coisa. Papel. Coisa de ler e de escrever. Cãmera pra bater foto e filmar. Cigarros. (Será que um dia eu páro de levar tanta coisa?)

Aí o Bob aponta o piso de pedra e diz:

“Tem uns peixins aqui, tá vendo?”

“?”

“Tá aqui, ó. Tá vendo não? Aqui!”

“Bob essa tua cerveja é qual?”

“Nããão… Olha aqui. Viu?”

E eu vi mesmo. Lá estavam eles, em alto-baixo relevo, uns peixinhos pequeninins, sabe deus desde quando presos dentro da pedra grande que é todo dia fatiada pra virar chão das casas. De mil casas.

“O sertão vai virar mar, o mar vai virar sertão.” Quem foi que disse isso primeiro? Antonio Conselheiro? Euclides da Cunha? Luiz Gonzaga? Beto Guedes? O Bob?

Ah, e me disseram que o piso daquele aeroporto onde o Tom Hanks mora, naquele filme e tals… veio todo daqui do Ceará.

Peixes-figurantes cinematográficos.

as escavadeiras atrapalhando o sono dos peixinhos.

as escavadeiras atrapalhando o sono dos peixinhos.