Archive for maio \27\UTC 2009

CAVALICES & CAVALHEIRISMOS no Benfica

maio 27, 2009

Fui ao banheiro, não tinha papel. Da segunda vez pedi ao garçom que passava e fiquei esperando na porta. Como ele nunca veio, fui até o balcão, onde ele proseava com uma senhora de touca de cozinheira na cabeça. Nem aí.

– Oi. O papel.

– Ah!

Ele foi pegar e me estendeu o rolo de papel higiênico e soltou a pérola da noite, algo que eu nunca na vida sonhava ouvir, uma frase que fez estalar alguma coisa no meu cérebro (e na mesa a gente falava sobre instintos animais, teria sido isso, hein?), uma frase tão incrivelmente construída que é difícil crer que saiu assim, plincs, do nada, de graça. É, porque ele podia ter dito isso pra qualquer menina que fosse lá pedir o papel higiênico. Ele meio que falou rindo. Divertido consigo mesmo, satisfeito. Bem à vontade. Ele podia falar pra qualquer menina, mas não pra mim. Nunquinha.

 – Tá aqui. Ó, aproveita que ele é rosa e perfumado pra esfregar direitim.

 Pronto. Lascou-se.

Catei o papel e fui demais pro banheiro. Esse cara não tinha idéia. Eu não tinha idéia. Eu tinha idéia sim. Fazer xixi decentemente. Sem pressa, sem atropelo. E, durante, a outra idéia veio vindo. Na voz baixinha da Fernanda-Punk. Sorri muito. OK, let´s go:

Execução número 1 – pagar a conta.

Execução número 2 – procurar o dono do bar – e o garçom.

Execução número 3 – barraco propriamente dito: falar alto pra tooodo mundo ouvir.

Execução número 4 – ir embora.

Agora era só pôr em Prática. (Mal sabia eu que a parte 4 ia ser a mais difícil).

Voltei pra mesa e comuniquei:

– Meu povo, aconteceu uma coisa e eu quero realmente pagar a conta AGORA e ir embora.

– ??!!

– Pois é, explico já. Pode ser?

E bem ligeiro juntamos os dinheiros e o povo o-que-foi o-que-foi e pedi pra esperarem que eu já voltava e cheguei no balcão onde estava o bendito garçom. Dei o dinheiro e perguntei:

– Quem é o Feitosa?

– Num tem mais Feitosa, é outro dono.

– E quem é o dono, quem é responsável pelo bar?

Me apontaram a senhora de touca de cozinheira na cabeça.

– Ok, é o seguinte. Como é seu nome, moço?

E o garçom:

– Lu.

– Lu. Tá. Se a senhora é a responsável por esse bar, tenha mais cuidado com os garçons que escolhe pra trabalhar nele. Eu sou uma cliente daqui e depois que pedi um papel higiênico pra ir ao banheiro ouvi desse rapaz aqui a frase: “Ó, APROVEITA QUE ELE É ROSA E PERFUMADO PRA ESFREGAR DIREITIM”

 Aí falei mais muuuuuuuuuuitas outras coisas e lembrava que não podia de jeito nenhum falar palavrão nessa hora, mas falava bem alto e pensava que tinha que falar não só alto, mas muito bem explicado e o cara:

– Desculpe aí, meu amor.

Aí lascou-se mais mais ainda:

– “AMOR” COISA NENHUMA, APRENDE A FALAR DIREITO, LU!! DIABEÍSSSO?

– Desculpe… senhora!

– Sinto muito, acho ÓTIMO você pedir desculpas, MUIITO MEEEEESMO, mas não vai dar pra lhe desculpar hoje porque estou MUITA PUUUUTA, desculpe aí o palavrão, mas olha só o que tu me falou, tu me deu um papel higiênico pra eu ESFREGAR DIREITIM?!!!??? Que RAIO DE JEITO DE FALAR É ESSE, LU??!!! Você quer QUE EU PENSE O QUÊ DE VOCÊ? Isso é o tipo de coisa que NUNCA PODE ACONTECER, ENTENDEU? TÁ FICANDO DOIDOOOOO???

– Certo, certo, entendi! Entendi!

– Tá. Era isso.

E caminhei pro carro e o povo tava notando e antes de entrar o garçom veio atrás de mim e parou no meio do bar e eu gritei (ai, é muito péssimo isso):

– LU!

– Opa!

– PENSE MUITO, MAS MUITO MESMO NO QUE EU TE FALEI. E QUE ISSO NÃO SE REPITA COM NINGUÉM QUE ESTÁ BEBENDO AQUI NESSE BAR. APRENDA A TER NOÇÃO E A FALAR COM AS PESSOAS DIREITO. OUVIU?

– Senhora! Por favor, venha até aqui.

– VOU ATÉ AÍ UMA PINÓIA, FALE LOGO BEM ALTO PRA TODO MUNDO OUVIR E SABER O QUE TÁ ACONTECENDO, OURA BOLAS.

Aí o Farad apontou o carro e abri e ele entrou do outro lado e lá vem a senhorinha de touca. Baixo o vidro e ela, ao lado do garçom:

– Moça, moça, calma, fique calma, deixe EU falar com você, assim numa conversa de mulher pra mulher…

Aí eu comecei a rir loucamente.

– O QUE?!!! QUE NEGÓCIO É ESSE DE MULHER PRA MULHER, MINHA SENHORA? SOMOS DUAS PESSOAS CONVERSANDO! E ELE TEM QUE APRENDER A FALAR!!

– Certo, certo, minha filha, desculpe aí o que aconteceu, mas é que…. Tá faltando 2 reais da conta.

Aí que não prestou mesmo.

– HÃ??????!!!!!!!!!! – eu ria ainda mais e não conseguia verbalizar o absurdo da situação. Ela tinha era que me indenizaaaaaaaar! O garçom era que tinha que me pagar o que quer que fosse! Pena que num deu pra eu dizer isso, eu ria muito. Aí agradeço aqui à presença de espírito (número 1) do Farad ao sacar 2 reais e estender pra mulher e dizer:

– Pronto, pronto, tudo certo, Fernanda, vamos embora…

E dei a partida e meti uma ré………………e……………….. PLÃN!

Derrubei uma moto que tava estacionada atrás do carro.

 (soltei um palavrão que num sei qual foi. mais umas gargalhadas. e um suspiro.)

– OK, Farad, perainda.

Desci do carro muito puta, querendo rir e rindo e perguntei bem alto:

– DE QUEM É ESSA BENDITA MOTOCA AQUI?

Aí lá vem um garoto de no máximo 18, 19 anos, muuuuito sobressaltado (com razão).

– Minha…

– Tá. Fi, tente levantar aí e dê a partida pra ver se tá funcionando.

Ele levantou a moto. O bar todo olhava. O garçom olhava. Eu olhava a moto. E lembrava que foi assim que minha mãe me ensinou: bateu?azar,assuma. E ele tentou dar a partida a primeira vez e nada. A segunda vez e nada. Aí agradeço aqui alguém que não sei o nome, um rapaz que não conheço e saiu lá da mesa dele e disse:

– Fernanda, algum problema aí? Quer ajuda?

Agradeço deveras a este simpático desconhecido e ao silêncio que reinava no bar, ninguém dava um pio. Nem o garçom. (Ou era eu que tava surda de ódio?). Aí vem a incrível presença de espírito (número 2) do Farad, meu amigo meio-cientista:

– Olha, talvez na queda alguma coisa da engrenagem de num sei que – nunca entendo direito quando ele explica das geringonças – … mas se pôr em movimento ela pega. Tenta aí.

Afe! E lá foi ele e o menino pro meio da rua e chega o Chacal, amigo do tal meninim e meu amigo dos tempos de vinholadas no CH da Uece:

– Porra, Fernanda, que bicho otário (o garçom), mas vamo ver aí se pega e tals.

Eu ria. Ainda. E…………..PLINCS a moto voltou a funcionaaaaar! Uhuuuuu festa, vibração do povo e fui lá falar com o meninim.

– Tudo certo? Veja aí. Tenha certeza.

E ele e o Farad me asseguraram que sim. E me desculpei de novo por ter derrubado a moto e ele, não, não, tudo bem, tudo certo, pode ficar tranqüila e disse:

– Ó, mas tem uma coisa. Disso aí que aconteceu. É foda, cara, o atendimento aqui é mó paia mesmo, mas vê aí o tanto de gente que tem sentada nesse bar…

Olhei. É tinha até gente. (Olhando pra gente)

– Sei lá, tu falou, reclamou, massa, mas o povo pensa, e aí, se a gente num agüentar, onde é que a gente vai beber?

– O QUE????????? TÁ DOOOIDO??!! Mansh, tu tá no BENFICA! Tu sabe quantos bares tem nesse bairro? Eu tô indo e num volto nem a pau e nunca mais, não acredito que as pessoas sejam burras o suficiente pra ficar aqui ou ainda vir aqui depois de tudo isso! Nãr! Adeus! Desculpe aí de novo o mau-jeito. Vamo nessa Farad.

E o Farad:

– Cuidado só com essa moto aí da frente.

 

Fim de história.

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Ps1:escrevo essa história doida aqui pra gente pensar na vida assim, meio junto-separado. Eu acredito demais na educação. Eu tenho um mote que é assim: “È PRECISO APRENDER A FALAR COM ESTRANHOS”. Seguro a Bia no colo (ela tem 8 meses incompletos) e digo à ela, bem baixinho: esse lugar onde você veio nascer é muuuito estranho. Convivência é o maior desafio, a maior arte.  O Benfica é minhas áreas dentro dessa Cidade Solar e não arredo o pé, não importa o que diacho aconteça. (E já aconteceu muita cousa troncha). Eu trabalho com educação, escolhi isso pra minha vida. Não separo vida e trabalho. Admiro muitíssimo o método ULTRAVIOLENCE, como no Kubrick. Mas num resolve muito. Tem que ser no verbo. As pessoas mudam. Bares passam. A gente fica.

 

 

Ps2: Existem 3 bares principais ali no Benfica. O Cantinho Acadêmico, o Feitosa e o Assis. O primeiro foi palco de muito arranca-rabo no que tange preconceito, mas o território é tão ótimo e precioso (av.13 de maio em frente à praça da Gentilândia) que dali ninguém arreda o pé meeesmo. Tenho uma história longa com o Cantinho Acadêmico, fica pra outra vez. Podemos dizer que EDUCAMOS (falo eu e todos, institucionalizados como o Grab e a Prefeitura ou não, pessoas que conseguem explicar pro Pereira que ele vacilava muito) a gerência do Cantinho Acadêmico. Os garçons mudaram, são todos gentlemen, aperto a mão de quase todos. Um dos donos é legal, o outro, o Pereira ainda precisa de vezemquando duns chega-pra-lá. O terceiro bar é o Assis, eu não conheço muito, mas a fama de péssimo atendimento é mais por ele ser naturalmente rabugento com todo mundo mesmo, acho. Virou folclore. Foi reformado agora e colocaram um piano de parede que não funciona. Adoro. Já fui com Flávia e Anna K e Beth e Jaína e foi muito legal. Foi no segundo, que se chamava Feitosa e descobrimos no cardápio seboso que mudou de nome, agora é Benfica´s Bar (arrgh). Então mudou de dono, também. E, espero, mude de dono ou vá à falência muito em breve.

 

Ps3: toda terça depois da Lua (www.fotolog.com/literaturadelua) a gente vai pro Cantinho Acadêmico. Porque diabos a gente resolveu mudar de bar, mesmo, hein, Estácio?

 

Ps4:

fernanda diz:

ergnaerngknerkgnçjkaernkjgnaerjngae

 

Estácio diz:

podia ter sido pior, né ?

 

fernanda diz:

ah podia

 

Estácio diz:

combustão espontânea

 

 ps5: conversa “de mulher-pra-mulher” pra mim é cantada. Da Marisa.

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ailouvi bitous

maio 25, 2009
aviiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiia!

aviiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiia!

Diretamente do coração do Benfica, a Rádio Universitária
transmite pela FM 107.9 o programa Frequência Beatles
há mil anos.
É todo sábado, das 18h às 20h.
Sempre que tou em casa, escuto e fico aos pulos,
nem preciso sair sábado à noite.
E se tem uma coisa que acho muito linda e me diverte pra
caramba é povo fanático pelos Beatles, tipo aquele
filme da sessão da tarde, Febre de Juventude.
Aí o povo do programa é assim e ficam arrumando motivo
pra todo sábado comemorar um troço, os n anos de lançamento
de um disco deles, o aniversário de morte ou nascimento de
um deles, ou explicar os 60 e tantos personagens que
aparecem na obra toda deles, ou uma biografia (das mil) que
acabou de sairetc e etc…

E ainda tem umas perguntas promocionais absurdas, por exemplo:
“O que melancia e Opala tem a ver com os Beatles?”

Resposta no programa de sábado que vem.

nelson augusto, ailouviu!

nelson augusto, ailouviu!

cousas cousadas de domingo

maio 25, 2009

Foi ontem. Eu dirigia muito ligeiro pela av. Borges de Melo às 11:30h da manhã, pra encontrar o Nico. Passando ali perto da rodoviária eis que surge, numa esquina após o sinal (após!) um homem, de pé, sozinho, sob o sol (fez sol no domingo, amém), segurando nas mãos um gramofone.

Isso mesmo, um gramofone.

Pisquei várias vezes e arregalei os olhos ao passar por ele. Não hesitei, peguei o primeiro retorno e depois o segundo e parei ao lado. Demorei um tempinho para dizer algo olhando aquele objeto que o homem segurava agora na janela do meu carro. Tinha um papel escrito VENDE-SE na parte em que o gramofone se abre em flor.

– O senhor está mesmo vendendo isso?

– Sim.

– Quanto custa?

– Quatrocentos reais – o cara tinha sotaque estranho.

Não tinha quatrocentos reais. E foi o que eu disse. E disse que aquilo era lindo. Ele retrucou:

– Funciona, viu? – e deu corda e o disco começou a rodar sob a agulha e de fato a música começou a tocar.

Um gramofone tocava pra mim numa esquina dessa cidade, quase ao meio-dia de um domingo qualquer. Eu vi o cachorrinho ouvindo música no talhe da madeira. Eu vi como a parte de cima do gramofone brilhava ao sol.

– É, não tenho quatrocentos reais. – repeti.

– Quanto você tem agora? Pra pagar AGORA?

– !!…. tenho cem reais.

– Não dá. Não paga minha passagem.

Suspirei.

– De onde isso é? – e não lembro da resposta dele.

– E você, de onde é?

– Soy colonbiano. Mas a passagem é pra Goiânia.

– Você tem um telefone?

– Não.

Olhei mais tempo antes de ir embora. Esqueci de desejar boa sorte.

tinha aquele mesmo cachorrinho ali, ó.

tinha aquele mesmo cachorrinho ali, ó.

Tesla ruuules – parte 2

maio 23, 2009

“Nicola era um garoto comum numa família tradicional vivendo no interior da Croácia, numa cidade chamada Smilja, pelo lado da mãe tradicionalmente havia muitos inventores (inventos simples coisa de agricultor) e eles não eram ricos. Tesla tinha um irmão, Dane, considerado genial pela família e em quem depositavam grandes esperanças, enquanto Nicola era o irmão menor, sonhador, traquina e que gostava de caçar sapos com um tipo de zarabatana que ele mesmo tinha inventado. Um Tio numa situação econômica melhor deu um cavalo para eles, um cavalo árabe (considerado pequeno para os padrões europeus) e passou a ser o cavalo de Dane. Nicola era proibido de andar no cavalo.  Até que certa vez, com ciúme, Nicola assustou o cavalo, provocando a queda de seu irmão e em seguida sua morte. Nicola nunca se refez do trauma.

 Nicola sempre foi um garoto muito observador, nenhum detalhe lhe escapava . Depois da tragédia com seu irmão Nicola passou a ter flashes ele via imagens de todo tipo de coisa em sua mente, o que lhe era extremamente desconfortável e com o tempo ele passou a controlá-los. Certa vez os flashes lhe salvaram a vida: ele ficou preso debaixo d’agua e um flash lhe mostrou a onde havia uma bolha de ar e assim ele pode escapar.

 Sua dedicação aos estudos passou a ser incansável, sentia que tinha perdido tempo na infância. Ele estudava desde as primeiras luzes do dia até muito depois do sol ter se posto. Nicola não tinha aptidão para o desenho, logo não esperavam que ele chegasse muito longe. Ao terminar o colegial teve uma crise nervosa, os médicos chegaram a dizer que ele não viveria mais muito tempo. Nesse estado ele não tinha mais nada a fazer, então após Ler Innocents Abroad ele teve uma milagrosa melhora. Anos depois nos EUA ele encontraria o autor a quem agradeceria pessoalmente por ter-lhe salvo a vida, Samuel Clemens ou Mark Twain passou a ser um dos poucos amigos de Nicola Tesla.

Tesla ingressou na universidade e as adversidades voltaram a sua vida. Claramente antipatizado pelos professores (que se sentiam inferiorizados por ele) e sempre que Tesla tocava no assunto energia alternada, todos riam dele. Esse era o grande impasse da época, a energia contínua não podia ser transmitida a grandes distâncias e a energia alternada não podia ser usada em nada. Sempre que Tesla tentava falar sobre um possível motor de corrente alternada, era recebido com piadas. Se Thomas Edison achava isso impossível, não seria um croata desconhecido que conseguiria.  Mas Tesla sabia ser possível, tinha o projeto perfeito em sua mente, mas nunca teve a chance de executá-lo.

 O Pai de Nicola veio a falecer e Tesla teve que deixar a Faculdade por falta de recursos, junto a isso ele teve outra crise e foi hospitalizado, mas dessa vez ele foi acometido uma “doença” misteriosa. Seus sentido já aguçados se tornaram hipersensíveis, os pés de sua cama tinham quer ser calçados com borrachas, pois uma pessoa passando no corredor lhe parecia um terremoto e um relógio produzia um som ensurdecedor. Depois disso Tesla jamais voltaria a ser como antes, ele passou a ter um comportamento compulsivo desde então.

um postal meu em homenagem ao Tesla. e ao Farad.

um postal meu em homenagem ao Tesla. e ao Farad.

Evitava ser tocado e apertar mãos por causa da hipersensibilidade, levou muito tempo até que ele voltasse a tomar sol, ele passou a ter uma obsessão pelo número 3, todas as suas rotinas eram números divisíveis por três. Por exemplo, amarrar um sapato era demorado por ele desfazer e fazer tudo de novo até chegar ao número desejado. O seu numero favorito era o 27. Fora da faculdade seu primeiro emprego foi na companhia de telégrafo, mas não havia desistido de seus objetivos. Alguns anos mais tarde conseguiu emprego na companhia Continental Edison e dois anos depois ele estaria viajando para Nova York para conhecer seu ídolo, mas o ídolo não era o que ele esperava. ”

Texto do farad…. contua em breeveeeeee!

 

interlúdio – plenilúnio

maio 23, 2009

Passei pelo lugar que você achava ficar em outro lugar, mas não, era ali. Parei, olhei, voltei. Procurei o lugar exato onde estivemos. Meus pés de frente pros seus, você de frente pra mim. Encontrei. Dessa vez o sol batia em cheio em mim, dessa vez não tinha chuva. Dessa vez, ao invés da sua risada e das frases ditas muito baixo, era só o meu silêncio doce. Depois que a mágica acontece, toco os objetos com muito cuidado, é assim que acontece. E foi bem então que lembrei do gesto muito presto em que você colocou minha bolsa – que eu tinha posto de lado, nem aí – no seu ombro. Entrebeijos.

 

Tesla ruuules! – parte 1

maio 21, 2009

O Farad é um cara calado. Ele gosta de reparar em como as coisas funcionam – pessoas também. Aliás, reparar no mundo é uma das cousas que ele mais faz, além de vender guitarras, inventar histórias (ele fazia animação) e abrir computadores e outras engenhocas pra consertar. Mas voltando, ele fica reparando nas coisas-pessoas e talvez por isso seja muito calado. Daqueles calados que ficam olhando a conversa horas e horas na mesa do bar.

olha o que ela leva pro Escambo. eu disse, é tronchooo - e adoro!

olha o que ela leva pro Escambo. eu disse, é tronchooo - e adoro!

Aí numa terça feira aí a coisa mudou, ele tava mais falante que o homem da cobra. isso porque descobriu o Tesla. Que também devia ser um cara na dele. Aí o Farad desatou a contar um monte de história dele e, atendendo a pedidos, escreveu pra eu publicar aqui. Publico porque é uma história MUITO TRONCHA e esse blog vem de um zine que eu tinha chamado Cousas Cousadas Cousas Tronchas. Ficou longo, então publicarei em partes. Lai vai:

“O Gênio desconhecido

 Nicola Tesla, você possivelmente já ouviu o nome uma vez ou outra, mas não o que ele chegou a fazer. Nos Livros de história você vai aprender sobre o Thomas Edison, afinal a história é escrita pelos países vencedores e Tesla não era americano, ao contrário com as guerras mundiais ele passou a representar uma ameaça, mas sua ciência estava tão além da época que o mundo não podia simplesmente deixar para lá , geradores de corrente alternada, motor alternado, lâmpadas fluorescentes, circuitos de alta tensão como flashes de máquina fotográfica e  ignição de automóveis, máquina de raios X, equipamentos médicos, a lista é enorme e até a moderna pesquisa com plasma não seria possível sem ele.

 Antes de falar dele é interessante falar de outra coisa antes, o mundo na virada do século 19 e as primeiras décadas do século 20 era bem diferente do que conhecemos hoje,  As pessoas usavam muita roupa na rua , tinham poucas mudas de roupa,  duas por exemplo, o jornal era o principal meio para as pessoas ficarem informadas e para se comunicar as pessoas usavam carta ou telégrafo, e o transporte mais eficiente era o Trem a vapor ou navio a vapor,  publicar um livro exigia grande esforço e eletricidade em casa ou no trabalho era um luxo para pessoas muito ricas,  nas cidades a iluminação pública era a gás. As pessoas sonhavam com um mundo fantástico como no Filme Metropolis (1927) mas a realidade era bem outra.

 A Ciência e os cientistas nessa época também eram bem diferentes de hoje, hoje ciência é o que explica o mundo, e cientistas são pessoas que sabem de tudo 😉 mas antigamente o povo via a ciência como a possibilidade de redenção,  e os cientistas eram celebridades mundiais, como heróis quase semi-deuses, tão importantes quanto presidentes ou astros de cinema , celebridades no sentido verdadeiro da palavra. Ser um cientista significava ir onde nenhum homem já foi antes, como garimpeiros explorando o mundo, descobrir as coisas, resolvendo problemas até então impossíveis. Alguns por ambição, outros por fama e ainda outro pelo bem de todos.”

(texto de Farad Rosevard, mon ami. E continua)

taí o homem. devia chamar ele pra falar no Literatura de Lua, néra?

taí o homem. devia chamar ele pra falar no Literatura de Lua, néra?

tema.

maio 15, 2009
esse foi a mariana quem me deu. era um broche do Coletivo. passou um bom tempo na minha bolsa preta. e sendo refletido no teto do meu próprio carro.

esse foi a mariana quem me deu. era um broche do Coletivo. passou um bom tempo na minha bolsa preta. e sendo refletido no teto do meu próprio carro.

 

Tema meninas que tenham um Fusca.
Elas vão te matar de rir, é um fato.
Nenhum motorista da cidade delas deixará de lhes dar passagem
(recairá sobre aquele que não o fizer a maldiçao do faraó).
E os frentistas dos postos?
Se matarão para terem o prazer de abastecê-las.
Esses carros vão dar problema, mas elas tiram de letra.
Talvez por hábito elas estejam acostumadas a resolverem
problemas-de-7-cabeças com um sorriso radiante.
Se não durante, depois.
Elas não têm pânico com facilidade.
São sofisticadas, sim, todas elas, afinal um Fusca
é um carro cheio de história em cada centímetro de seu espaço mínimo.
E de família, já que os pais delas são decisivos e presentes nessas decisões.
Sabe Deus o que elas já fizeram dentro e fora desses Fuscas.
Mas lembram de tudo.
Têm uma memória prodigiosa.
esses Fuscas vivem recheados de papéis e documentos
– elas são sérias.

Lembre-se disso antes de aceitar uma carona.

sobre a morte – ou não

maio 15, 2009

para natércia pontes – também.

museu da lingua portuguesa - sp

museu da lingua portuguesa - sp

e Bia, ailouviu.

os botões

maio 11, 2009

os botões
as casas
são ambos entrelinhas.
um botão é algo que desencadeia uma ação.
uma casa é onde se repousa.
cada casa é feita de linhas de sua planta.
ramificações.
a maioria dos botões é feita de círculos perfeitos.
ciclos.
quem costura um botão à uma casa
casa-se.
é um ser atravessado por outro.

experiência é tudo aquilo que lhe atravessa.
alguém transpassado.
(quem sabe pela flecha do cupido)
quem desabotoa lentamente um botão alheio
tem um prêmio invisível
chamado convite.
pois o botão é a tranca mais delicada
e quase sempre imperceptível da casa.
abrir-se
fechar-se
mostrar-se
guardar-se
um botão pode substituir um laço?
um botão não se desata,
embora enfeite.
ele abre-se em flor.

Fernanda Meireles

buttons.

maio 9, 2009

aperte botao

eles funcionam?

funcionam.