tarde de chuva na ilha

naiara, láis e o guarda-chuva da joanita

naiara, láis e o guarda-chuva da joanita

Depois do almoço e com 2 originais de zines numa providencial pasta de plástico, nos abrigamos no batente de um casarão na Rua do Sol, bem debaixo da placa. Que ironia, a chuva nos enganava escurecendo o céu e fazendo parecer mais tarde. Pegamos um táxi até o Centro de Creatividade Odilo-alguma-coisa para pegar a autorização das cópias. Lá a professora Joanita me emprestou o guarda-chuva e Laís e Naiara me levaram até o mercado. Mercado de verdade, nada limpinho e tudo interessante. Garrafinhas e garrafonas de tiquira roxa penduradas por todo lado. E não era só o líquido doido engarrafado, tinha também carangueijos grandes, cobra e outros bichos que não soube dizer se eram do mar ou da terra. Frutas também, licores de todo tamanho, textura e pelagem.

Fumamos um cigarrim ali, um bêbado me ouviu dizer o nome Catarina Mina e parou:

– Essa aí é a nossa Xica da Silva! Botou foi quente naquela Ana Jansen! – aí seguiu em ziquezague. Fiquei pensando quando é que vou ouvir um bêbado se meter numa conversa pra opinar sobre figuras da história da minha cidade, Fortaleza. Talvez precisemos de mais uns 200 anos pra isso acontecer.

Foi também nesse passeio que as meninas me contaram a outra versão do paradeiro da minha bolsa. Na verdade alguém que a recebeu da mão do Bruno deixou mesmo do lado das coisas dele no museu e sumiram pra resolver outro problema. Aí o museu fechou e um muito abençoado guarda as colocou numa sala e se foi.

– Quer dizer que durante toda a noite ninguém sabia onde ela estava?

– Isso.

– !!! – Cristo rei. Muito sábio, o Celso. Do que me adiantaria saber disso? Ninja. Ainda bem que não me contaram. Amém.

Enquanto o Diego ia tirar cópias lá na Duplicar eu achei um sebo chamado Chico Discos. Era fim de tarde e chovia fino. Estava vazio, só o dono, que parecia o pai do Gero Camilo. Entrei, um silêncio. Muito bom isso dos sebos. Só de estar num lugar cheio de livros o som da rua já entra no mute. E era muito lindo, lá. Seu Chico foi tão gentil, tá lá no vídeo.

http://www.youtube.com/watch?v=v9mgvQ6M-lg&feature=channel

E lá achei dois livros, um de 1926 e outro de 1910. Um é a correspondência entre Camilo Castelo Branco e Afonso Castilho, pai do Júlio. Feitos em Coimbra, a tiragem era de 200 exemplares, menos que a do zine que fizemos, pensei. O outro chama-se Barbear e Pentear, ri sem nem abrir o bendito. Duas pérolas. Fiquei de facto estupefacta, como escreveriam estes autores. Trouxe esses dois pedacinhos de Portugal pra casa.

– De onde vieram esses livros, seu Chico?

– Ah… Tem um senhor que de vez em quando aparece aqui. Ele trouxe foi uma pilha desses aí… Depois ele vem de novo.

Ai ai. Depois eu venho de novo também.

tava tão bonita a cena que demorei um pouco pra pedir água.

tava tão bonita a cena que demorei um pouco pra pedir água.

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