Oficina de zine – parte 2

        Lá estavam Márcio e Renato acompanhados dessa vez por três mulheres, uma de farda da polícia, acho. Confirmei o que achava, eles eram menores infratores e estavam em regime semi-aberto, talvez. Depois de um breve bate-papo sobre cidades, partimos pra feitura das páginas do primeiro zine. Seria de bolso, com 16 páginas. As mulheres também participaram, menos a de farda. Uma era a Adócria, outra era a Sílvia. Sacaram os zines rapidinho e ajudaram a dar corda nos meninos. Sílvia falou de São Luís e do prazer que é ser também uma dançarina de tambor de crioula. Márcio falou um pouco do futebol que jogava em Imperatriz, sua cidade. O Renato…

       – Qual a tua cidade, Renato?

       – Hunmnm.. Não sei.

       Mas mesmo assim ele escreveu cousas e usou um postal da escultura do Niemayer (em São Luís) em outra página. Foi ótimo notar como a empolgação crescia à medida que íamos completando as 16 páginas e colando no original.

       – Ok, aí vou fotocopiar com os meninos da organização hoje de tarde e amanhã a gente monta trocentos zines desse aqui.

       – E a senhora vai fazer o que com eles?

       – Eu? Eu não, NÓS! Cada um aqui sai com pelo menos 20 pra entregar pra quem quiser!

       – E é?

       – Claro, é seu também. Você entrega pras pessoas com quem você quer conversar.

       Eles estavam começaaando a sacar do negócio. Enquanto isso o Diego ajudou bastante desenrolando umas cópias do zine da Zinco (Pequenas Explosões, sobre artivismo) e mostrando o dele mesmo, sobre maus-tratos aos animais e veganismo.

márcio, silvia, adócria eu e renato. e uns copins d'água.

márcio, sílvia, adócria eu e renato. e uns copins d'água.

       Fim da parte 2 da oficina, conversei com as educadoras sobre a série de oficinas que eu e Nico fizemos nas unidades de internação pra menores infratores em Fortaleza, em 2004. As páginas saíram muito parecidas. Elas me explicaram então que eram do Centro de Esperança e Juventude, acho que era esse o nome. Ficaram empolgadas em levar os zines pras outras turmas de lá. E percebi que no ritmo que as cousas estavam indo eu não ia ver nenhuma mesa redonda, quadrada, triangular… nada do resto da programação oficial do encontro. Mas tchudo bem. As pessoas falam mais e melhor em outras mesas – e até sem elas.

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