Sua casa, sua casca.

Sua primeira casa, a de sua infância e a de sempre e única.

Está aí, estou vendo.

É o seu corpo.

CASA é CORPO.

No começo alguém cuida pra nós: limpa, arruma, conserta.

A casa muda com o tempo.

Uma fica grande, a outra encolhe.

Com que idade começamos a reconhecer como nossa?

A medida que ficamos sozinhos e as horas passam. O corpo é a casa.

Onde é a calçada?

E as fiações elétricas, os encanamentos, as tubulações?

No seu corpo, onde fica a janela, a cozinha, o banheiro e os corredores?

A partir de uma certa idade começamos a chamar pessoas de fora pra dentro de casa.

E a fazer visitas, também.

A visita não é quem passa em frente, é quem entra.

A visita tem um prêmio invisível: o convite.

A melhor visita não quebra nada, não mancha, não suja.

Ela deixa um bom perfume no ar. No travesseiro.

Ela traz presentes para a casa. Ela descobre até onde pode ir – área, sala, cozinha.

Quarto? Cama? Banheiro?

O corpo-casa se abre em espaços e impressões para a visita desejada.

Algumas são convidadas a ficar.

 

(Habita-me.

Aponto para meu peito e digo: Mora aqui.)

 

Podemos formar uma bela vizinhança móvel.

E é também por isso que deixo um Cidade Solar na sua porta.

 

 

 

 

 

 

 

Texto publicado originalmente no zine Cidade Solar #49 e na Antologia Massanova (projeto puxado pelo Carlos Emílio Correa Lima) com mais trocentos povos, dentre eles a Annak e a Flávia Oliveira. Adoro usar esse texto como starter para uma oficina de zine, funciona sempre.

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