Archive for dezembro \29\UTC 2008

corria o ano de 2mil e 4 – chinelava, aliás

dezembro 29, 2008

era março e o querido do Daniel Peixoto, com mais gente, tava pensando um programa chamado Asterisco, que seria veiculado online. pois num é que agora, 4 anos depois, eis que o primeiro programa reaparece num post dele no www.fotolog.com/cidadesolar?

daniel, ai louviu! e olha como o mundo dá voltas e as cousas todas se casam repatidas vezes. na parte 1 do programa aparece a coleção de estampas para camisas chamada Prestidigitação, feita por mim pra loja Odysséia, da Silvania de Deus que amo – e sim, que é uma das meninas da Casa das Meninas, onde a nova coleção da dupla Supercordas está exposta (http://postaissupercordas.wordpress.com ) . até hoje adoro essa coleção de camisas, de vez em quando alguém aparece numa delas por aí.

na segunda parte do programa tem a cobertura do aniversário de 2 anos do Zine-se (evento nômade e gratuito que aconteceu aqui na cidade por mais de 6 anos). estávamos no espaço mix do Centro Cultural Dragão do Mar e aparece um monte de gente querida: Oliveira com seu Zinebra, Bob dando sua acuradíssima opinião sobre o zine feito pelo Japa, Joey ganhando o zine recém-nascido, etc… e que doidera cantar parabéns pra um evento, ainda mais sem bolo, mas foi uma graça. e o daniel de cabelin preto? e eu com a mesma camisa que estava usando anteontem, me passando ao som da Rubber Soul?

tá tudo aqui, ó:

http://br.youtube.com/watch?v=W9fYXL1KKrE

frutas nada secas

dezembro 27, 2008

são pilhas e pilhas de papéis, das mais diferentes origens. significados também. enchem caixas e prateleiras e gavetas, mas tá decidido, vão-se. existe a primeira triagem e as seguintes, cada vez mais inclementes, isso é um treino. se algo importante for pro lixo vai me voltar em sonho, tenho absoluta certeza. e já fiz as listas, já dicidi as cousas e não foi em pouco tempo.

na verdade passei o ano inteiro percebendo, avaliando, cada vez que batucava no painel do carro no sinal fechado, cada vez que sentei no meiodo nada pra fumar um cigarro, percebi, avaliei, mirei por trás da minha própria testa….

BUM

isso se vai.

o que ficar tem um suculento sumo. espremerei com gosto.

ainda bem que ela existe

dezembro 20, 2008

foi pela alana. foi num escambo na Lua. troquei com ela algum livro por um livro duma mulher com um nome esgraçado: Miranda July. na capa, uma coisa mais estranha que o nome, o título: “É claro que você sabe do que estou falando” e uma foto de alguém de sexo indefinido, de tamanho esquisitíssimo (que só fui notar hoje, meses depois) e abraçando loucamente uma rruma de travesseiros brancos.

a-capa-com-ser-inrigante ou as-pessoas-podem-ser-maiores-do-que-imaginamos

a-capa-com-ser-inrigante ou as-pessoas-podem-ser-maiores-do-que-imaginamos

alana merci. por ter comprado aquele livro, por ter lido, por ter levado pro escambo e por ter trocado comigo. era tudo o que eu precisava.

aí uma tarde qualquer, dias e dias depois, peguei e fui ler. degustar o livro. achei esquisita a foto dela na orelha, também. magra demais, cabelos doidos e um olhar de susto numa cara de cansaço. é a foto em que ela tá menos bonita de todas que já vi. sim, porque Miranda July é linda, não basta, não basta. e depois que li aqueles contos todos, fiquei com uma sensação igual aos dias muito cheios de cousas cousadas, cousas tronchas, súbitas, insólitas, lindas, sem a menor explicação e dados a nós de presente por algo Invisível e que, de algum modo, faz todo o sentido do Mundo.

saí pesquisando nos gúgous do mundo tudo o que podia sobre Miranda July. tive foi febre a medida que descobria mais cousas.

é tudo tão grave que perdi ônibus, faltei trabalhos, aluguei orelhas amigas em mesas de bar, ao telefone, chorei, me passei, me perguntava como pode como pode? a cada descoberta. o site oficial que lhe pede a senha, os assignements absurdos, os pôsteres escritos, o audiolivro, os vídeos no youtube, os botões, as performances que ela fazia antes dos shows de punk rock de meninas, os clips, o salto quebrado na entrevista, etc etc etc etc.

aí hoje a febre voltou de manhã, lá no Literatura de Lua. levei o livro e li pra joice, farad e fernanda lima o conto que mais gosto, “O garoto da Lam Kian”. dá pra você ler aqui (e o livro todo): http://fantastico.globo.com/Jornalismo/Fantastico/download/0,,3949-1,00.pdf

e depois que reli, as imagens continuaram surtindo efeito o dia todo, até agora. tô aqui pensando nela em algum lugar do mundoe querendo que ela tome muito cuidado ao atravessar a rua, naquele mesmo tipo de sensação que se tem ao pensar em alguém que se ama, que se quer bem e é precioso: cuidado! o mundo é doido e a gente é bem fragilzim.

aqui dá pra ver um dos vídeos dela (não curtas de ficção, mas se procurar dá pra achar esses também): http://www.youtube.com/watch?v=7RBir3jmQSc

é o How to Make Buttons. tem gente que não entende. acha que é bobagem, nonsense barato. eu não acho. eu me passo. e não vale explicar, ou você entende/capta/é atingido ou você simplesmente não sabe a senha. sem segregação ou papo-cult-cabeça-arte-contemporânea. vem antes.

quando tava no orkut achei uma comunidade que bolei de rir. é “Miranda July me entenderia”. sabe quantos membros têm? nenhum. e quando tentamos entrar, vai um pedido pro moderador e jamais na Terra a confirmação volta. será que é ela a dona da comunidade? nem duvido.

aí achei o bendito filme. logo ali, na aza vídeo vizinho ao shopping benfica. assisti bem sozinha, sem acender as luzes da sala depois que o sol se pôs. o filme é um capítulo à parte, chega por hoje. fica aqui o cartaz:

cartaz da versão japonesa. os cartazes das versões japonesas dos filmes me desfibram a alma.

cartaz da versão japonesa. os cartazes das versões japonesas dos filmes me desfibram a alma.

essa cena é no final.

pronto, morremos.

puf!

 

ps: em tempo. karine, flávia, mariana, nico, alana. um beijo. vocês sabem exatamente do que estamos falando. e como já disse antes, amor é dar corda nas idiossincrasias alheias.

o que é aquilo lá no céu?

dezembro 18, 2008

a gente tinha ido entregar o gato ao novo pai. o novo pai é pai de gato pela primeira vez e tá adorando. depois de ziguezaguear nas ruazinhas da vila, atravessamos o corredor compriiiido daquela-casa-de-raia-de-piscina e fomos pro quintal. o gato e a bicicleta branca. ele cheirava o pneu e fechava os olhins pra ver melhor todos os caminhos. o novo pai se balançava na rede, a gente falava do futuro dos calangos sob essa nova configuração de habitante felino e ouvíamos madonna na vitrola.

o vento corre…

– caralho…

– ?!

ele fecha um olho só, estica o braço pra cima, para além dos galhos da mangueira e a gente olha junto. até o gato olha junto.

– tem um saco plástico voando bem altãão, láááááá…..

foda.

intermináveis primaveras – 2

dezembro 14, 2008

é uma delicadeza de trisco

de ponta de dedo sobre

como eu sabia?

nunca imaginei que ele dançasse

dezembro 12, 2008

os dois se abraçaram bem forte, os tecidos das roupas se tensionando nas costas, as mãos espalmadas nas duas costas saindo pelos babados das mangas e  se olharam sorrindo ainda no meio do abraço ainda dado.

ela viu. depois que um se foi, perguntou sorrindo dum jeito preguiçoso e arqueado feito suas sobrancelhas e a linha das costas, havia volúpia.

– quem é esse.. que tanto te merece?

 

morri perto da meia-noite assistindo Capitu.

eu também contianuarei

dezembro 12, 2008

dsc02307

machadinho, meu amigo, porque nóis semo foste, nóis semo de luta, nóis contianuaremos firme.

intermináveis primaveras

dezembro 11, 2008

parecem todos tão civilizados no msn. mas se coçam, aumentam o volume, se sacodem, tampam os olhos, bebem, vincam coisas invisíveis entre um e outro. dão até pulos, eu vejo daqui, que nem no dia que vi sem querer o menino estável dando pulos e cantando debaixo do chuveiro daquela casa de praia.

tem uma coisa que está prar começar. isso é lógico e óbvio e talvez por ser tão óbvio e lógico passe derpercebido, embora tão passível de constante celebração.

nao-subestime-corpo

domingo-do-pé-do-cachimbo-de-ouro-no-touro-etc-e-tal

dezembro 7, 2008

começa com um solinho de guitarra que me lembra uma harpa doida. domingo é meu dia preferido. eu ouço o trem, eu observo longamente a margot se espreguiçar e mudar de posição e faço um carinho nela como pé. domingo devia ter 57 horas. domingo é dia de visita e vou já na casa dele, tomar sorvete, falar miolo de pote e do pote em si. o sol já se foi nesse domingo e se eu pudesse eu segurava ele lá no céu, assim enviesado nessa luz bonita de 4 e meia. todos os documentos estão brincando de 4 cantos agora, enquanto dou as costas. amanhã começa a brincadeira de esconde-esconde e sou em quem conta e procura.

agora o solo é de baixo, mas tão transformado e misturado pelas maravilhas da tecnologia que soa como um brinquedo de criança, dos que a gente liga em alguma tomada, com T. voltei a cumprimentar os carteiros. o ano tá se acabando feito esse domingo e a minha casa é mesmo o  melhor lugar do mundo, cada vez mais.

em algum lugar da rússia tem uma criança brincando de escorregador nas pernas do  satélite que foi até a Lua e voltou, muitos anos antes dela nascer.

dezembro 5, 2008
1995. eu desenhava.

1995. eu desenhava.