Henry, mon ami!

Eu tive alguns tutores durante minha adolescência. Pessoas mais velhas, mais vividas e com histórias pra contar que me sussurravam baixinho uns conselhos, uns insights, umas passagens secretas. Estavam sempre por perto, de olho, eram quase amigos imaginários e eu conversava com eles na minha cabeça, no caminho do colégio pra casa. Henry Miller era um desses. Existe um livro pouco conhecido dele chamado The World of Sex, em que ele se explica e se fundamenta para além da fama de autor pornográfico. Existe uma passagem que sempre me volta e tem voltado muito esses dias. Ponho em inglês porque é lindo a maneira como ele escreve e depois tento uma tradução bem livreleve e solta:

 

Our laws and customs relate to social life, our life in commom, which is the lesser side of existence. Real life begins when we are alone, face to face with our unknown self. What happens when we come together is determined by our inner soliloquies. The crucial and truly pivotal events which mark our way are the fruits of silence and of solitude. We attribute much to chance meetings, refer to them as turning points in our life, but these encounters cold never have ocurred had we not made ourselves ready for them. If we possessed more awareness, these fortuitous encounters would yeld still great rewards. It is only at certains unpredictable times that we are fully atunned, fully expectant, and thus, in a position to receive the favours of the fortune. The man who is thoroughly awake knows that every “happening” is packed with significance. He knows that not only is his own life being altered, but that eventually the entire world must be affected.

 

agora a tecla sap:

 

Nossas leis e hábitos são relativas à nossa vida social, nossa vida em comum, que é o menor lado da existência. A vida real começa quando estamos sozinhos, face a face com o eu desconhecido. O que acontece quando estamos juntos é determinado pelos nossos solilóquios internos. Os acontecimentos cruciais e ___  (como se traduz “pivotal”?!) que marcam nosso caminho são frutos do silêncio e da solidão. Nós atribuímos muito aos encontros por acaso, nos referimos à eles como momentos decisivos de reviravolta em nossas vidas, mas eles jamais teriam ocorrido se não estivessemos nos preparado para eles. Se tivéssemos mais consciência, esses encontros fortuitos nos trariam ainda mais recompensas. É apenas em algumas épocas imprevisíveis, quando estamos completamente afinados, completamente abertos (não é a melhor palavra) e, por conseguinte, em posição de receber os favores da sorte. O homem que está profundamente acordado sabe que cada “acontecimento” vem embalado em significado. Ele sabe que não apenas sua própria vida, mas eventualmente a do mundo inteiro pode ser afetada.

 

Pronto. É, Henry Miller sabia das coisas.

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