eu te amo, mas não me peça meu msn

 

msn é um jeito fácil de estar, sem estar. pra quem tem mente fértil e é impressionável feito eu, é um prato transbordante de possibilidades. na época dos navios, quando eu ficava de plantão sozinha láááá em cima daquele prédio na beira-mar, fui introduzida nesse mundo pelo nico, para que eu tivesse almas boas com quem conversar enquanto entrava a noite. aliás, foi só então que fui ter e-mail, junto com orkut e logo depois fotolog. (é, em 2004, daí ainda me sobressalto com o mundo virtual e o que ele faz com as pessoas e vice-versa.

mas voltando ao msn.  a primeira coisa foi perceber que não tem risada 100% fiel nas conversas, daí cada um inventa a sua. a minha é daquele jeito porque quando rio de verdade não consigo ter coordenação pra digitar direito. aí é o que mais se aproxima da realidade. a segunda coisa foi não entender porque as pessoas somem no meio da conversa, me ofendia muito. hoje já tá ok ou quase. fica parecendo um monte de pensamento solto, que vem e vai e pode ser compartilhado. às vezes as conversas parecem coisas que as pessoas pensam quando abrem a geladeira. ou quando eu abro a geladeira. aí a porta fecha e a conversa some.

mas o que mais me intriga mesmo no msn é o tempo. entre uma linha e outra. as pausas. foi no banheiro? tá olhando as unhas? tá vendo outra página? foi atender a campainha? teve uma epifania?

se a internet é a campeã em possibilidades de distrações – não abstrações – e ainda dizem que a gente surfa nela, uma longa e boa conversa no msn é tãããão difícil. é um colar de pérolas.

e quando a pessoa começa a digitar e pára? aí você põe uma coisa. aí fulano está digitando uma mensagem… e de novo pára. nada. cri-cri. teve cãimbra? o coração apertou? lembrou que o silêncio é de ouro – outro?

mas o melhor vem agora:

não tem quem me convença daqueles botões. não há ninguém, absolutamente ninguém ausente, ocupado ou etc. offline então é uma fronteira-limbo que me intriga profundamente. e de onde vezenquando – plincs! – uma voz do além surge. sempre acho que aquela pessoa offline está sendo investigada pelo polícia federal.

e fiz mesmo uma comunidade no orkut uma vez: “Eu olho longamente para a tela do msn”.

 

 

ps: o título do post eu vi em um zine. sabe deus qual foi.

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2 Respostas to “eu te amo, mas não me peça meu msn”

  1. clarisse Says:

    senti uma leve identificação com esse post,
    por que será?
    😛

    quando tô no msn
    eu nunca tô nele,
    to indo mecher o miojo,
    servir um lanche,
    futricar os orkuts que me futricaram recentemente..

    mas quando tô no e-mail
    só tô nele
    e vão todas as minhas forças numa mensagem
    que será lida mais de duas vezes, espero,
    adoro esse mistério,
    essa pausa imensa entre um dito e outro.

    :}

  2. annak Says:

    tua cara esse texto. e hoje estou offline, no msn.
    é como querer conversa, mas não querer conversa, entende?!
    entende.

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