Acabei de ouvir no programa Brasileirinho que existe um bar no Benfica chamado Buraco do Reitor.
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Acabei de ouvir no programa Brasileirinho que existe um bar no Benfica chamado Buraco do Reitor.
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A minha Cidade Solar tem um navio fantasma.
Se chama Mara Hope.
Hope é esperança, em inglês.
De longe ele é preto, mas de perto ele é vermelho-velho. Ferrugem, cobre podre.
A ferrugem encrespou toda a superfície com agulhas de tétano.
Tem que tomar muito cuidado com os pés, lá.
Até porque há de se imaginar que quem chega até ele está descalço,
veio atravessando um pedaço do mar,
então pra quê calçados?
Tem gente que foi à tardinha e por lá anoiteceu.
Viu a lua e a cidade do navio naufragado. Até ficou pra dormir.
(como é que dorme?)

Um navio naufragado pra sempre bem em frente à sua vista mais bonita.
Como qualquer criança residente em Fortaleza, que repara no mar, um dia se nota aquela coisa grande, preta e parada no meio do litoral. Alguém me disse que era um navio. Acho que foi minha mãe. Aí depois eu gazeava aula na Ponte e me confirmaram. Mas aquilo num parece em nada um navio. Primeiro porque fica parado. Imóvel. Depois porque é grande e preto (e só a metade ta lá).
Quando eu trabalhei na Estação de Praticagem falando com os navios, ouvi de um dos práticos a história do Mara Hope. Além de ter sido uma narrativa puramente técnica, ele fechou com uma: “Num país sério, ele não ficaria ali. Aquilo é lixo. Lixo no mar.” Fiquei pensando. Numa cidade em que um de seus hinos fala que “Eu sou da nata do lixo, eu sou do luxo da aldeia, sou do Ceará” (Ednardo)… Tá tudo mais que certo, então.

desenho do vítor. que também gosta do ednardo.
http://www.blogzdovitor.blogspot.com/
Esse é do Vítor Batista, um dos maiores desenhistas da Cidade Solar (e com quem estou bolando uma série de cartões de visita eróticos chamada Kaminha Sutra). E concordo com ele. Prefiro apreciar o Mara Hope de longe. Morro de medo de ir lá. E quero muito que ele lá permaneça.
http://www.brasilmergulho.com.br/port/naufragios/artigos/2005/018.shtml
Lê esse artigo do Marcos Davis, que é mergulhador e já foi lá mais de uma vez. Que coisa mais linda.
http://www.youtube.com/watch?v=X5YvJvScQuc
Aqui uns gaiatos colocaram Paralamas só de deboche. Minha cena preferida é aos 3:40 segundos.
Pra saber das outras partes, volta lá embaixo. Esse texto é do meu amigo Farad, já expliquei. Ele escreveu a pedidos, pra que eu partilhe com vocês uma das mais legais histórias de bar que já ouvi. E foi real! Meus comentários estão numerados.
“Em 1891 Tesla inventou uma bobina que recebeu seu nome e é seu invento mais popular. Ela pode ser feita em casa de tão simples e é a base que torna possível o rádio, televisão, automóveis, etc. (1) Também era por meio dela que ele queria implementar a energia sem fios de graça. Nas exibições de seu invento Tesla era mais visto como um ilusionista do que como um cientista. Raios azulados cruzando o ar, lâmpadas acendendo em sua mão à distância… O público via a tudo como a um grande show sem entender nada. Mas realizar seu sonho não seria nada fácil, Edison trabalhava ativamente tentando incutir medo nas pessoas sobre a corrente alternada, fazendo eletrocuções públicas de animais. (2)

e o nome dele com K é mais legal ainda: Nikola Tesla!
Os conceitos de Tesla funcionavam e funcionam até hoje, mas para a eletricidade chegar ao mundo todo ele precisava trabalhar numa escala maior. O que começou a ser problemático e perigoso. Certa vez policiais invadiram seu laboratório em Manhattan ordenando que desligasse as máquinas, pois o chão tremia a 3 quarteirões dali. (3) O Advogado que o defendeu sugeriu um lugar em Colorado, para onde ele mudou o laboratório. Agora havia grandes placas “Mantenha distância – Grande Perigo”. A população vizinha observava a distância com grande ansiedade e aflição. Tesla, ajudado por um amigo engenheiro, construiu uma torre de 27 metros que serviria aos testes e os efeitos eram muitos e assustadores: lâmpadas que acendia sozinhas nas casas a quilômetros dali, faíscas saindo do chão e tocando o pé das pessoas enquanto caminhavam, névoa verde… e ele só estava sintonizando o aparelho, não o tinha ligado na força principal. (4)
Em 1899 ele ligou tudo no máximo pela primeira e última vez, produzindo o que depois foi chamado de Crescente Ressonante (5), um evento global que produziu a maior descarga elétrica da história da Terra. Depois de viajar o globo e voltar, a energia formou um pilar de raios (6) que iluminou o céu naquele dia, trovões como nunca ouvidos antes foram escutados por 33 km partindo da origem. Tesla havia colocado eletricidade demais no experimento, achando que o efeito ressonante seria limitado, mas na verdade ele havia esbarrado com uma fonte de energia ilimitada e corrente de retorno foi tão grande que o gerador pegou fogo (7).
Tesla ficou animado com o acontecimento quase apocalíptico, mas seus apoiadores, não. Ele parou de receber eletricidade de graça, entre outras coisas. Desesperado por apoio, Tesla foi a Nova York, mas a idéia de energia de graça obviamente não era comercial. Tesla propôs que usassem o sistema dele como comunicação global, que dessem a energia e cobrassem sobre a comunicação, seria a ancestral da internet, um telegrafo mundial sem fio (8). Com muita relutância, JP Morgan (ele havia sido o principal financiador do Edison), que era o homem mais rico do mundo, comprou a idéia, mas quando ficou claro que o que Tesla queria era dar energia de graça ao mundo, Morgan se retirou imediatamente.”

- buuuuuuuuu! - e elas adoram.
Como seria o nome dessa profissão? Aliás, isso não é profissão, isso é freela, bico, etc. Isso aí de se meter dentrode uma armação imensa e flexível, seja de personagem de turma da Mônica (que cruzam a beira-mar Toda Noite anos a fio naquele trenzinho), seja em aniversários, seja em supermercados… E poder fazer toda e qualquer cara lá dentroenquanto trabalha e ver crianças correndo nas duas direções
1. ao seu encontro, encantadas.
2. na direção oposta, aos gritos de horror.
3. indo e vindo, entre terror e curiosidade alegre – a melhor opção.
?
ps: flagra nas escadas do Extra Montese.
- ah, minha filha, ele não quer mais os pés que eu fiz com taaaanto amor…
- ?!
- quer não… fiz com tanto carinho os pezins do meu filhim… e agora ele não quer mais…
- ?!!?
- ééééé!.. só quer saber duns pés novos aí.

djérmanis mui felixxx
“Corpos que pegam fogo, sem que nenhuma ação externa provoque essa combustão e curiosamente, somente o corpo da pessoa queima, ficando as vestes intactas. Joana de Angelis, pelo Divaldo P Franco, afirma ser esses espíritos, ex-inquisidores, incendiários das pessoas que não professavam a religião oficial ou tinham qualquer dom diferente do normal, o normal na época era o conceito arcaico da cultura e dos costumes parciais, preconceituados nos interesses dos dirigentes civis e religiosos os mandatários inaltorizados de Deus.
A psicologia explica as neuroses dos seres que sentem prazer de alguma forma em ferir ou provocar dor no outro, extasiando os limites da morbidez sexual, como forma de satisfação das aberrações provocadas por desvios de conduta. Porque pegar fogo, auto incendiar-se, mesmo contra vontade? (1)
Tudo tem um porque (2), temos que conscientizar-nos de que nada acontece por acaso (3), as disposições contrarias surgem por falta de conhecimentos. Os fatos analisados pela ciência não tem explicação convincente, mas diante da Ciência Espírita, podemos justificar os acontecimentos, pela lei da reencarnação, inserindo as intenções da experiência, na infalível Lei de Causa e Efeito, encontrada na literatura religiosa de que, cada um é o resultado do que semeou, cada qual colhe o que plantou (4).
Se o individuo botou fogo em um ser humano (5), a lei espiritual sincroniza sua freqüência vibratória, demarcando sua sintonia com os acontecimentos relativos a essa ação e que na primeira oportunidade de sofrer na pele o que afetou o próximo, estará incluso como personagem, na ação das tragédias e acidentes que tanto afetam a sensibilidade e o julgamento das pessoas.”
(texto tirado sei-lá-de-onde-da-internet)
(1) porque, Jizuzzzz??!
(2) Porque Jizuzzzz??!! – 2.
(3) Muito menos um fogaréu transbordante nas tubulações internas.
(4) Isso não vale só no campo religioso.
(5) Existem mil maneiras de fazer isso. Eu só agradeço a que foi usada com minha pessoa.

em homenagem a Mrs. Dalloway, um close na parte invisíveldos internismos. horas antes da festa começar.
obs: A coisa mais chata de blogs é que quem entra lê as coisas de trás pra frente. As outras 2 partes da história que o Farad está contando sobre nosso já idolatrado Tesla tá lá atrás. Ponho aqui mais uma parte (faltam mais umas 3) com meus comentários numerados no fim. (devia ter feito isso desde o começo).
“Dizem que o encontro aconteceu assim. Provavelmente ansioso por mostrar seu valor, Tesla disse ser capaz de melhorar a eficiência dos dínamos de Edison em 25% em 60 dias, Edison teria rido e disse que se ele fizesse isso lhe pagaria 50mil dólares, o que em dólares de hoje seriam uma soma espetacular(1). Tesla trabalhou virtualmente sem paradas, cumprindo o prometido, mas Edison fazendo pouco caso disse que estava brincando, quando perguntado pelo dinheiro. Furioso Tesla demitiu-se na mesma hora.(2)
Porém em seguida Tesla foi abordado por investidores querendo produzir um tipo de lâmpada que ele teria, nasce a companhia Eletrica Tesla (3), a primeira de muitas que teriam seu nome, porém essa empresa não gerou retorno, pelo contrário, ele perdeu a patente da Lâmpada de arco e não teve apoio para o seu projeto de corrente alternada.
Depois disso Tesla se viu obrigado a fazer trabalhos que pagavam um dólar por dia para sobreviver. Ele planejou se matar a meia noite tal como ele havia nascido, no seu trigésimo aniversário (olha o número 3, ele queria um número redondo) e antes que isso acontecesse o Dono da Western Onion, não se sabe por que (4), resolveu dar uma nova chance ao gênio, deu lhe um laboratório e a chance de pesquisar o que quisesse. Tesla pode finalmente montar seu alternador depois de tantos anos engavetado na sua mente, e este funcionava exatamente como devia. Em pouco tempo Tesla se tornou a sensação mundial.
O próximo passo foi derrotar o rival Thomas Edison e George Westinghouse (5) foi quem fez isso possível. O trio então formado ganhou a concorrência para a hidrelétrica de Niágara Falls(6), a primeira no mundo. Edison estava concorrendo, mas sua proposta com corrente contínua custava o dobro. A eletricidade produzida em Niagara chegava até 3km de distância da origem, algo inimaginável como corrente contínua. Logo o mundo inteiro teria acesso a eletricidade, e não só os muito ricos, era uma revolução. Mas para Tesla , não estava nem perto. Ele sabia que mesmo com a corrente alternada a eletricidade seria restrita as linhas de transmissão e essas possuíam e possuem limitações técnicas muito grandes. Ele queria mais, ele queria eletricidade para todos, de graça e sem fios (7).”
Meus comentários:
(1)adorei o “soma espetacular”. por mim podia ser até
os 2 reais do post anterior, era só chegar na hora certa.
(2)devia ter soltado uns raios no bigode desse Thomas ae.
(3)tenha medo.
(4) medo de levar uns raios.
(5) marca da geladeira do meu avô, que é de 1940 e funciona
até hoje lá no Icaraí. mérito do meu avô, claro.
(6) já estive em Niagara Falls num passeio de barco até perto
de onde as águas caem. parecia um grande toró como os que temos
tido aqui, com o agravante de a água vir de todos os lados e a
gente ter que gritar pra ser ouvido por alguém a centímetros de você.
não, não foi uma experiência legal. morri de medo.

tá vendo aquele barquinho ali? vou de novo nem a pau.
(7) era um Cid Gomes!
me empreste uma pepita de ouro
dessas suas aí
aí da sua mina
muito particular
levarei pra minha casa
andarei com ela na bolsa
ficarei mais rica
e depois te devolvo
Fui ao banheiro, não tinha papel. Da segunda vez pedi ao garçom que passava e fiquei esperando na porta. Como ele nunca veio, fui até o balcão, onde ele proseava com uma senhora de touca de cozinheira na cabeça. Nem aí.
- Oi. O papel.
- Ah!
Ele foi pegar e me estendeu o rolo de papel higiênico e soltou a pérola da noite, algo que eu nunca na vida sonhava ouvir, uma frase que fez estalar alguma coisa no meu cérebro (e na mesa a gente falava sobre instintos animais, teria sido isso, hein?), uma frase tão incrivelmente construída que é difícil crer que saiu assim, plincs, do nada, de graça. É, porque ele podia ter dito isso pra qualquer menina que fosse lá pedir o papel higiênico. Ele meio que falou rindo. Divertido consigo mesmo, satisfeito. Bem à vontade. Ele podia falar pra qualquer menina, mas não pra mim. Nunquinha.
- Tá aqui. Ó, aproveita que ele é rosa e perfumado pra esfregar direitim.
Pronto. Lascou-se.
Catei o papel e fui demais pro banheiro. Esse cara não tinha idéia. Eu não tinha idéia. Eu tinha idéia sim. Fazer xixi decentemente. Sem pressa, sem atropelo. E, durante, a outra idéia veio vindo. Na voz baixinha da Fernanda-Punk. Sorri muito. OK, let´s go:
Execução número 1 – pagar a conta.
Execução número 2 – procurar o dono do bar – e o garçom.
Execução número 3 – barraco propriamente dito: falar alto pra tooodo mundo ouvir.
Execução número 4 – ir embora.
Agora era só pôr em Prática. (Mal sabia eu que a parte 4 ia ser a mais difícil).
Voltei pra mesa e comuniquei:
- Meu povo, aconteceu uma coisa e eu quero realmente pagar a conta AGORA e ir embora.
- ??!!
- Pois é, explico já. Pode ser?
E bem ligeiro juntamos os dinheiros e o povo o-que-foi o-que-foi e pedi pra esperarem que eu já voltava e cheguei no balcão onde estava o bendito garçom. Dei o dinheiro e perguntei:
- Quem é o Feitosa?
- Num tem mais Feitosa, é outro dono.
- E quem é o dono, quem é responsável pelo bar?
Me apontaram a senhora de touca de cozinheira na cabeça.
- Ok, é o seguinte. Como é seu nome, moço?
E o garçom:
- Lu.
- Lu. Tá. Se a senhora é a responsável por esse bar, tenha mais cuidado com os garçons que escolhe pra trabalhar nele. Eu sou uma cliente daqui e depois que pedi um papel higiênico pra ir ao banheiro ouvi desse rapaz aqui a frase: “Ó, APROVEITA QUE ELE É ROSA E PERFUMADO PRA ESFREGAR DIREITIM”
Aí falei mais muuuuuuuuuuitas outras coisas e lembrava que não podia de jeito nenhum falar palavrão nessa hora, mas falava bem alto e pensava que tinha que falar não só alto, mas muito bem explicado e o cara:
- Desculpe aí, meu amor.
Aí lascou-se mais mais ainda:
- “AMOR” COISA NENHUMA, APRENDE A FALAR DIREITO, LU!! DIABEÍSSSO?
- Desculpe… senhora!
- Sinto muito, acho ÓTIMO você pedir desculpas, MUIITO MEEEEESMO, mas não vai dar pra lhe desculpar hoje porque estou MUITA PUUUUTA, desculpe aí o palavrão, mas olha só o que tu me falou, tu me deu um papel higiênico pra eu ESFREGAR DIREITIM?!!!??? Que RAIO DE JEITO DE FALAR É ESSE, LU??!!! Você quer QUE EU PENSE O QUÊ DE VOCÊ? Isso é o tipo de coisa que NUNCA PODE ACONTECER, ENTENDEU? TÁ FICANDO DOIDOOOOO???
- Certo, certo, entendi! Entendi!
- Tá. Era isso.
E caminhei pro carro e o povo tava notando e antes de entrar o garçom veio atrás de mim e parou no meio do bar e eu gritei (ai, é muito péssimo isso):
- LU!
- Opa!
- PENSE MUITO, MAS MUITO MESMO NO QUE EU TE FALEI. E QUE ISSO NÃO SE REPITA COM NINGUÉM QUE ESTÁ BEBENDO AQUI NESSE BAR. APRENDA A TER NOÇÃO E A FALAR COM AS PESSOAS DIREITO. OUVIU?
- Senhora! Por favor, venha até aqui.
- VOU ATÉ AÍ UMA PINÓIA, FALE LOGO BEM ALTO PRA TODO MUNDO OUVIR E SABER O QUE TÁ ACONTECENDO, OURA BOLAS.
Aí o Farad apontou o carro e abri e ele entrou do outro lado e lá vem a senhorinha de touca. Baixo o vidro e ela, ao lado do garçom:
- Moça, moça, calma, fique calma, deixe EU falar com você, assim numa conversa de mulher pra mulher…
Aí eu comecei a rir loucamente.
- O QUE?!!! QUE NEGÓCIO É ESSE DE MULHER PRA MULHER, MINHA SENHORA? SOMOS DUAS PESSOAS CONVERSANDO! E ELE TEM QUE APRENDER A FALAR!!
- Certo, certo, minha filha, desculpe aí o que aconteceu, mas é que…. Tá faltando 2 reais da conta.
Aí que não prestou mesmo.
- HÃ??????!!!!!!!!!! – eu ria ainda mais e não conseguia verbalizar o absurdo da situação. Ela tinha era que me indenizaaaaaaaar! O garçom era que tinha que me pagar o que quer que fosse! Pena que num deu pra eu dizer isso, eu ria muito. Aí agradeço aqui à presença de espírito (número 1) do Farad ao sacar 2 reais e estender pra mulher e dizer:
- Pronto, pronto, tudo certo, Fernanda, vamos embora…
E dei a partida e meti uma ré………………e……………….. PLÃN!
Derrubei uma moto que tava estacionada atrás do carro.
(soltei um palavrão que num sei qual foi. mais umas gargalhadas. e um suspiro.)
- OK, Farad, perainda.
Desci do carro muito puta, querendo rir e rindo e perguntei bem alto:
- DE QUEM É ESSA BENDITA MOTOCA AQUI?
Aí lá vem um garoto de no máximo 18, 19 anos, muuuuito sobressaltado (com razão).
- Minha…
- Tá. Fi, tente levantar aí e dê a partida pra ver se tá funcionando.
Ele levantou a moto. O bar todo olhava. O garçom olhava. Eu olhava a moto. E lembrava que foi assim que minha mãe me ensinou: bateu?azar,assuma. E ele tentou dar a partida a primeira vez e nada. A segunda vez e nada. Aí agradeço aqui alguém que não sei o nome, um rapaz que não conheço e saiu lá da mesa dele e disse:
- Fernanda, algum problema aí? Quer ajuda?
Agradeço deveras a este simpático desconhecido e ao silêncio que reinava no bar, ninguém dava um pio. Nem o garçom. (Ou era eu que tava surda de ódio?). Aí vem a incrível presença de espírito (número 2) do Farad, meu amigo meio-cientista:
- Olha, talvez na queda alguma coisa da engrenagem de num sei que – nunca entendo direito quando ele explica das geringonças – … mas se pôr em movimento ela pega. Tenta aí.
Afe! E lá foi ele e o menino pro meio da rua e chega o Chacal, amigo do tal meninim e meu amigo dos tempos de vinholadas no CH da Uece:
- Porra, Fernanda, que bicho otário (o garçom), mas vamo ver aí se pega e tals.
Eu ria. Ainda. E…………..PLINCS a moto voltou a funcionaaaaar! Uhuuuuu festa, vibração do povo e fui lá falar com o meninim.
- Tudo certo? Veja aí. Tenha certeza.
E ele e o Farad me asseguraram que sim. E me desculpei de novo por ter derrubado a moto e ele, não, não, tudo bem, tudo certo, pode ficar tranqüila e disse:
- Ó, mas tem uma coisa. Disso aí que aconteceu. É foda, cara, o atendimento aqui é mó paia mesmo, mas vê aí o tanto de gente que tem sentada nesse bar…
Olhei. É tinha até gente. (Olhando pra gente)
- Sei lá, tu falou, reclamou, massa, mas o povo pensa, e aí, se a gente num agüentar, onde é que a gente vai beber?
- O QUE????????? TÁ DOOOIDO??!! Mansh, tu tá no BENFICA! Tu sabe quantos bares tem nesse bairro? Eu tô indo e num volto nem a pau e nunca mais, não acredito que as pessoas sejam burras o suficiente pra ficar aqui ou ainda vir aqui depois de tudo isso! Nãr! Adeus! Desculpe aí de novo o mau-jeito. Vamo nessa Farad.
E o Farad:
- Cuidado só com essa moto aí da frente.
Fim de história.
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Ps1:escrevo essa história doida aqui pra gente pensar na vida assim, meio junto-separado. Eu acredito demais na educação. Eu tenho um mote que é assim: “È PRECISO APRENDER A FALAR COM ESTRANHOS”. Seguro a Bia no colo (ela tem 8 meses incompletos) e digo à ela, bem baixinho: esse lugar onde você veio nascer é muuuito estranho. Convivência é o maior desafio, a maior arte. O Benfica é minhas áreas dentro dessa Cidade Solar e não arredo o pé, não importa o que diacho aconteça. (E já aconteceu muita cousa troncha). Eu trabalho com educação, escolhi isso pra minha vida. Não separo vida e trabalho. Admiro muitíssimo o método ULTRAVIOLENCE, como no Kubrick. Mas num resolve muito. Tem que ser no verbo. As pessoas mudam. Bares passam. A gente fica.
Ps2: Existem 3 bares principais ali no Benfica. O Cantinho Acadêmico, o Feitosa e o Assis. O primeiro foi palco de muito arranca-rabo no que tange preconceito, mas o território é tão ótimo e precioso (av.13 de maio em frente à praça da Gentilândia) que dali ninguém arreda o pé meeesmo. Tenho uma história longa com o Cantinho Acadêmico, fica pra outra vez. Podemos dizer que EDUCAMOS (falo eu e todos, institucionalizados como o Grab e a Prefeitura ou não, pessoas que conseguem explicar pro Pereira que ele vacilava muito) a gerência do Cantinho Acadêmico. Os garçons mudaram, são todos gentlemen, aperto a mão de quase todos. Um dos donos é legal, o outro, o Pereira ainda precisa de vezemquando duns chega-pra-lá. O terceiro bar é o Assis, eu não conheço muito, mas a fama de péssimo atendimento é mais por ele ser naturalmente rabugento com todo mundo mesmo, acho. Virou folclore. Foi reformado agora e colocaram um piano de parede que não funciona. Adoro. Já fui com Flávia e Anna K e Beth e Jaína e foi muito legal. Foi no segundo, que se chamava Feitosa e descobrimos no cardápio seboso que mudou de nome, agora é Benfica´s Bar (arrgh). Então mudou de dono, também. E, espero, mude de dono ou vá à falência muito em breve.
Ps3: toda terça depois da Lua (www.fotolog.com/literaturadelua) a gente vai pro Cantinho Acadêmico. Porque diabos a gente resolveu mudar de bar, mesmo, hein, Estácio?
Ps4:
fernanda diz:
ergnaerngknerkgnçjkaernkjgnaerjngae
Estácio diz:
podia ter sido pior, né ?
fernanda diz:
ah podia
Estácio diz:
combustão espontânea
ps5: conversa “de mulher-pra-mulher” pra mim é cantada. Da Marisa.

aviiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiia!
Diretamente do coração do Benfica, a Rádio Universitária
transmite pela FM 107.9 o programa Frequência Beatles
há mil anos.
É todo sábado, das 18h às 20h.
Sempre que tou em casa, escuto e fico aos pulos,
nem preciso sair sábado à noite.
E se tem uma coisa que acho muito linda e me diverte pra
caramba é povo fanático pelos Beatles, tipo aquele
filme da sessão da tarde, Febre de Juventude.
Aí o povo do programa é assim e ficam arrumando motivo
pra todo sábado comemorar um troço, os n anos de lançamento
de um disco deles, o aniversário de morte ou nascimento de
um deles, ou explicar os 60 e tantos personagens que
aparecem na obra toda deles, ou uma biografia (das mil) que
acabou de sairetc e etc…
E ainda tem umas perguntas promocionais absurdas, por exemplo:
“O que melancia e Opala tem a ver com os Beatles?”
Resposta no programa de sábado que vem.

nelson augusto, ailouviu!