Arquivo da categoria ‘tronchices’

do que não se diz

Setembro 27, 2009

chega em pausas

cada uma é uma página de dicionário

dicionário ilustrado dicionário em braille dicionário de sinônimos dicionário de antônimos dicionário dos dias do ano dicionário para traduzir cada uma das curvas de cada uma das linhas das estratificações das folhas daquele outro país.

mas tá valendo

Julho 31, 2009

Some men here
They know the full extent of
Your distress
They kneel and pray
And they say :
Long may it last

 

 

é isso: they kneel

do joelho

knee

 

de estar de joelhos.

e saber.

they knew and pray

Julho 31, 2009

é o verso mais bonito – se é que dá pra dizer – da música mais bonita – se é que dá pra escolher – do Morrissey. na verdade a melodia ganha das palavras nessa música. e estive muitoausente porque isso aqui não é vida real. é flash de sonho. é pisco de luz. é charme.

 

o mundo real acontece aqui: www.fotolog.com/cidadesolar

e aqui dentro.

sou pelos mergulhos.

Fevereiro 23, 2009

peixes-abissais

não só os submarinos.

e peixes abissais são sempre bem-vindos. mesmo os que não acendem.

Sua casa, sua casca.

Dezembro 1, 2008

Sua primeira casa, a de sua infância e a de sempre e única.

Está aí, estou vendo.

É o seu corpo.

CASA é CORPO.

No começo alguém cuida pra nós: limpa, arruma, conserta.

A casa muda com o tempo.

Uma fica grande, a outra encolhe.

Com que idade começamos a reconhecer como nossa?

A medida que ficamos sozinhos e as horas passam. O corpo é a casa.

Onde é a calçada?

E as fiações elétricas, os encanamentos, as tubulações?

No seu corpo, onde fica a janela, a cozinha, o banheiro e os corredores?

A partir de uma certa idade começamos a chamar pessoas de fora pra dentro de casa.

E a fazer visitas, também.

A visita não é quem passa em frente, é quem entra.

A visita tem um prêmio invisível: o convite.

A melhor visita não quebra nada, não mancha, não suja.

Ela deixa um bom perfume no ar. No travesseiro.

Ela traz presentes para a casa. Ela descobre até onde pode ir – área, sala, cozinha.

Quarto? Cama? Banheiro?

O corpo-casa se abre em espaços e impressões para a visita desejada.

Algumas são convidadas a ficar.

 

(Habita-me.

Aponto para meu peito e digo: Mora aqui.)

 

Podemos formar uma bela vizinhança móvel.

E é também por isso que deixo um Cidade Solar na sua porta.

 

 

 

 

 

 

 

Texto publicado originalmente no zine Cidade Solar #49 e na Antologia Massanova (projeto puxado pelo Carlos Emílio Correa Lima) com mais trocentos povos, dentre eles a Annak e a Flávia Oliveira. Adoro usar esse texto como starter para uma oficina de zine, funciona sempre.

a poeira

Julho 30, 2008

50% de toda a poeira de uma casa é feita de material orgânico velho. de quem mora na casa.

muito bizarro.

já não bastavam os filmes…

Julho 19, 2008

…ele tem um livro.

Julho 19, 2008

iníciodoprincípiodob-a-bá

Maio 21, 2008

“Troncho” é a mesma coisa de esquisito, bizarro, ambíguo, sinistro, estranho. Essas coisas podem fazer rir, aparecer um ponto de interrogação sobre as cabeças, alguém soltar um “béissaímãnhr?!”, franzir o cenho (palavra troncha) ou ter gastura.

Mas sabemos também que existe gastura boa.

E tem aquela situação, acontece algo novo e te perguntam:

- e aí, como foi?

- estranho…

È, uma cousa estranha pode ser boa.

A língua portuguesa é troncha. E eu adoro. “Coisar” é um verbo Macgiver, mil e uma utilidades, conjugável em todas as pessoas e tempos e substitui qualquer um que não venha à sua cabeça no momento exato. Muito comum ouvi-lo aqui pela Cidade Solar. “Cousa” é a forma antiga de se escrever “coisa”. Em alguma aula de filologia do português eu ouvi até o nome do tal fenômeno, que também se aplica a, por exemplo: cabelos “louros” ou “loiros”, bolso cheio de “ouro” ou “oiros”. Com as bênçãos de Machado, Eça e Camões e Compés… começamos esta aventura insólita que é ter um blog.

ps: a foto que aparece lá em cima é do O Submarino Ceará S 14, ex-USS Amberjack – SS 522, o quarto navio e o primeiro submarino da Marinha do Brasil a ostentar esse nome em homenagem ao Estado do Ceará. Aportou por aqui nos anos 70. não é montagem. Nada mais troncho que um bicho desses no meio das jangadinhas do mucuripe. Tubarão de ferro fabricado por gente.

ps2: kariiiiiiiine, merci pelo novo presente!