Arquivo da categoria ‘tronchices solares’

Tesla ruuules – parte 2

Maio 23, 2009

“Nicola era um garoto comum numa família tradicional vivendo no interior da Croácia, numa cidade chamada Smilja, pelo lado da mãe tradicionalmente havia muitos inventores (inventos simples coisa de agricultor) e eles não eram ricos. Tesla tinha um irmão, Dane, considerado genial pela família e em quem depositavam grandes esperanças, enquanto Nicola era o irmão menor, sonhador, traquina e que gostava de caçar sapos com um tipo de zarabatana que ele mesmo tinha inventado. Um Tio numa situação econômica melhor deu um cavalo para eles, um cavalo árabe (considerado pequeno para os padrões europeus) e passou a ser o cavalo de Dane. Nicola era proibido de andar no cavalo.  Até que certa vez, com ciúme, Nicola assustou o cavalo, provocando a queda de seu irmão e em seguida sua morte. Nicola nunca se refez do trauma.

 Nicola sempre foi um garoto muito observador, nenhum detalhe lhe escapava . Depois da tragédia com seu irmão Nicola passou a ter flashes ele via imagens de todo tipo de coisa em sua mente, o que lhe era extremamente desconfortável e com o tempo ele passou a controlá-los. Certa vez os flashes lhe salvaram a vida: ele ficou preso debaixo d’agua e um flash lhe mostrou a onde havia uma bolha de ar e assim ele pode escapar.

 Sua dedicação aos estudos passou a ser incansável, sentia que tinha perdido tempo na infância. Ele estudava desde as primeiras luzes do dia até muito depois do sol ter se posto. Nicola não tinha aptidão para o desenho, logo não esperavam que ele chegasse muito longe. Ao terminar o colegial teve uma crise nervosa, os médicos chegaram a dizer que ele não viveria mais muito tempo. Nesse estado ele não tinha mais nada a fazer, então após Ler Innocents Abroad ele teve uma milagrosa melhora. Anos depois nos EUA ele encontraria o autor a quem agradeceria pessoalmente por ter-lhe salvo a vida, Samuel Clemens ou Mark Twain passou a ser um dos poucos amigos de Nicola Tesla.

Tesla ingressou na universidade e as adversidades voltaram a sua vida. Claramente antipatizado pelos professores (que se sentiam inferiorizados por ele) e sempre que Tesla tocava no assunto energia alternada, todos riam dele. Esse era o grande impasse da época, a energia contínua não podia ser transmitida a grandes distâncias e a energia alternada não podia ser usada em nada. Sempre que Tesla tentava falar sobre um possível motor de corrente alternada, era recebido com piadas. Se Thomas Edison achava isso impossível, não seria um croata desconhecido que conseguiria.  Mas Tesla sabia ser possível, tinha o projeto perfeito em sua mente, mas nunca teve a chance de executá-lo.

 O Pai de Nicola veio a falecer e Tesla teve que deixar a Faculdade por falta de recursos, junto a isso ele teve outra crise e foi hospitalizado, mas dessa vez ele foi acometido uma “doença” misteriosa. Seus sentido já aguçados se tornaram hipersensíveis, os pés de sua cama tinham quer ser calçados com borrachas, pois uma pessoa passando no corredor lhe parecia um terremoto e um relógio produzia um som ensurdecedor. Depois disso Tesla jamais voltaria a ser como antes, ele passou a ter um comportamento compulsivo desde então.

um postal meu em homenagem ao Tesla. e ao Farad.

um postal meu em homenagem ao Tesla. e ao Farad.

Evitava ser tocado e apertar mãos por causa da hipersensibilidade, levou muito tempo até que ele voltasse a tomar sol, ele passou a ter uma obsessão pelo número 3, todas as suas rotinas eram números divisíveis por três. Por exemplo, amarrar um sapato era demorado por ele desfazer e fazer tudo de novo até chegar ao número desejado. O seu numero favorito era o 27. Fora da faculdade seu primeiro emprego foi na companhia de telégrafo, mas não havia desistido de seus objetivos. Alguns anos mais tarde conseguiu emprego na companhia Continental Edison e dois anos depois ele estaria viajando para Nova York para conhecer seu ídolo, mas o ídolo não era o que ele esperava. “

Texto do farad…. contua em breeveeeeee!

 

Tesla ruuules! – parte 1

Maio 21, 2009

O Farad é um cara calado. Ele gosta de reparar em como as coisas funcionam – pessoas também. Aliás, reparar no mundo é uma das cousas que ele mais faz, além de vender guitarras, inventar histórias (ele fazia animação) e abrir computadores e outras engenhocas pra consertar. Mas voltando, ele fica reparando nas coisas-pessoas e talvez por isso seja muito calado. Daqueles calados que ficam olhando a conversa horas e horas na mesa do bar.

olha o que ela leva pro Escambo. eu disse, é tronchooo - e adoro!

olha o que ela leva pro Escambo. eu disse, é tronchooo - e adoro!

Aí numa terça feira aí a coisa mudou, ele tava mais falante que o homem da cobra. isso porque descobriu o Tesla. Que também devia ser um cara na dele. Aí o Farad desatou a contar um monte de história dele e, atendendo a pedidos, escreveu pra eu publicar aqui. Publico porque é uma história MUITO TRONCHA e esse blog vem de um zine que eu tinha chamado Cousas Cousadas Cousas Tronchas. Ficou longo, então publicarei em partes. Lai vai:

“O Gênio desconhecido

 Nicola Tesla, você possivelmente já ouviu o nome uma vez ou outra, mas não o que ele chegou a fazer. Nos Livros de história você vai aprender sobre o Thomas Edison, afinal a história é escrita pelos países vencedores e Tesla não era americano, ao contrário com as guerras mundiais ele passou a representar uma ameaça, mas sua ciência estava tão além da época que o mundo não podia simplesmente deixar para lá , geradores de corrente alternada, motor alternado, lâmpadas fluorescentes, circuitos de alta tensão como flashes de máquina fotográfica e  ignição de automóveis, máquina de raios X, equipamentos médicos, a lista é enorme e até a moderna pesquisa com plasma não seria possível sem ele.

 Antes de falar dele é interessante falar de outra coisa antes, o mundo na virada do século 19 e as primeiras décadas do século 20 era bem diferente do que conhecemos hoje,  As pessoas usavam muita roupa na rua , tinham poucas mudas de roupa,  duas por exemplo, o jornal era o principal meio para as pessoas ficarem informadas e para se comunicar as pessoas usavam carta ou telégrafo, e o transporte mais eficiente era o Trem a vapor ou navio a vapor,  publicar um livro exigia grande esforço e eletricidade em casa ou no trabalho era um luxo para pessoas muito ricas,  nas cidades a iluminação pública era a gás. As pessoas sonhavam com um mundo fantástico como no Filme Metropolis (1927) mas a realidade era bem outra.

 A Ciência e os cientistas nessa época também eram bem diferentes de hoje, hoje ciência é o que explica o mundo, e cientistas são pessoas que sabem de tudo ;) mas antigamente o povo via a ciência como a possibilidade de redenção,  e os cientistas eram celebridades mundiais, como heróis quase semi-deuses, tão importantes quanto presidentes ou astros de cinema , celebridades no sentido verdadeiro da palavra. Ser um cientista significava ir onde nenhum homem já foi antes, como garimpeiros explorando o mundo, descobrir as coisas, resolvendo problemas até então impossíveis. Alguns por ambição, outros por fama e ainda outro pelo bem de todos.”

(texto de Farad Rosevard, mon ami. E continua)

taí o homem. devia chamar ele pra falar no Literatura de Lua, néra?

taí o homem. devia chamar ele pra falar no Literatura de Lua, néra?

“…em força, união e poder.” (algo assim)

Maio 9, 2009

A Cidade Solar tem um canal de tv chama TV UNião, seu mote é “Jovem de cara e de coração” (e o germano chama de Jovem de cara e de caroção). É um canal basicamente de clips e programas jornalísticos para jovens. mas antes de me alongar sobre o canal 17 – que assisto com frequência por vários motivos – digo logo porque é uma cousa cousada:

Lembra de madrugada, quando as tvs saíam do ar e ficavam aquelas listras coloridas? Pois na tv União é diferente. (Pelo menos era, faz tempo que não chego ou acordo de madrugada em casa e ligo a tv). Aparecem uns desenhos esquisitíssimos, meio desbotados e meio anos 70, assim místicos pendendo pro bizarro, coisa que me lembra o Universo em Desencanto. E como legenda, textos ainda mais surreais.

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Faz algum sentido?

Não.

Adoooro!

(cousas cousadas para embalar os pensamentos de qualquer cristão, pensamentos estes já embolados numa madrugada qualquer.)

S-14 na escuta, câmbio!

Maio 2, 2009

Olha só como o mundo é. Há tempos achei a foto que ilustra o cabeçalho desse blog e, por ser antiga e real e linda e inusitada, a escolhi. Meses depois fui visitar o Porto do Mucuripe com o Germano e dei de cara com uma parte do submarino saudando a todos na bem entrada. É preciso saber da história da cidade – e de minha história com ela, assim como com submarinos e o Porto e os peixes abissais e os escafandros – pra ter uma noção real da minha surpresa. O fato é que ontem me chega essa mensagem:

“Descobri e  me apresento: eu sou o primeiro Comandante do S CEARA, cujo nome aparece na placa. Anos depois de chegar com o S CEARA à Fortaleza, pela primeira vez, com muita festa, em 1974, fiquei muito feliz quando, como Comandante-em-chefe da Esquadra brasileira, em 1991, entreguei a “vela”  do navio, ao carinho do povo de Fortaleza, para resultar nesse belo monumento à cidade , à Marinha e ao Brasil.
Ao  cearense Almirante  Façanha, à Sociedade dos Amigos da Marinha, em Fortaleza e ao povo e governantes locais minha reconhecida gratidão pela muito digna permanência ” na ativa”  do S CEARÁ.

Jelcias  da Silva Castro, Almirante -de- Esquadra, Reformado.”

 

Caramba, esse negócio de blog é um caso sério mesmo!

E muuito prazer, Almirante Jelcias! Volte sempre aqui!

ps: o post tá lááá atrás, chama-se: “O S-14 está lá”

ô paulo, sente aqui, vá.

Março 26, 2009

ah, que bom que você veio. mas não precisa sentar tão perto, fasta um pouquinho pra lá. é, estão asfaltando a rua. o cheiro é ruim. tá todo mundo hipnotizado pelo preto novo do chão, ao invés de reparar nos estumes róseos. deixe que eu acendo seu cigarro. queria lhe pedir pra interceder pelo sol. reze pelo meu nariz e tubulações internas. para que eu não adoeça, porquer não vai dar tempo. ah, se der tempo me ensina uns golpes ninjas. e como se diz aquilo em sânscrito. em qualquer língua, aliás. mas o sol é mais urgente. e quase nada é urgente.

aí ele afiou o bigode. balançou a cabeça. bateu a cinza. e disse:

- nada que o sol não explique .tudo que a lua mais chique. não tem chuva que desbote essa flor.

será que a sigourney weaver vem?

Março 14, 2009

Meu povo, esse é o projeto pra revitalização da Praia de Iracema. Chama-se Aquário e foi o Enrico quem me mostrou:

os ovos já devem estar no Mara Hope.

os ovos já devem estar no Mara Hope.

com uma lua dessas aí os aliens vão procriar rapidinho nesse aquário.

com uma lua dessas aí os aliens vão procriar rapidinho nesse aquário.

se tirarem o Largo do Mincharia eu mando a alien-mãe comer a mão desse arquiteto, ouras.

se tirarem o Largo do Mincharia eu mando a alien-mãe comer a mão desse arquiteto, ouras.

noite de domingo

Março 9, 2009

Noite, Beira-Mar.

- Mãããe! – a menininha passa correndo pela minha mesa seguida por outra, se estabacam no chão.

- Luísa, já tá cheia de areia! – a mulher trás uma bolsa enorme. Ele fica um momento em pé, atrás das 3, ele masca chicletes. Muito rápido se abancam, ela encaixa uma cadeira – pesada – na areia, ao lado da dele. As meninas parecem passarinhos.

- Posso pedir uma Coca, mãe?

Ele coça o nariz num gesto rápido e no seguinte apóia o cotovelo e segura o queixo. Mira o breu do mar. Está sem uma gota de paciência, eu sinto. A mãe grita pra maiorzinha:

- Margarida,na areia! NA AREIA, eu disse!

“Como foi seu dia?” ela havia perguntado e eu ouvi. Isso logo após a chegada em rebuliço. Ele, um homem mais jovem, pernas cobertas, tênis. Não era o pai. Ela, cabelos pintados, óculos. As meninas não falam com ele. Nem olham. A mulher está ali 3 em 1. Eles se beijam enquanto as meninas brincam de enterrar um canudo atrás das cadeiras dos dois.

Reinventam o submarino.

o S-14 está lá.

Fevereiro 15, 2009

outra pausa na narrativa ludivicense.

perguntei ao guarda portuário:

- moço, aquilo ali é a parte de cima de um submarino?!

- é sim. e embaixo está todo o resto dele.

- ?!   (aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa)

- não, não, brincadeira.

mas bastou.

praça amigos da marinha, em frente à entrada do porto do mucuripe.

praça amigos da marinha, em frente à entrada do porto do mucuripe.

um outro ângulo, por favor.

um outro ângulo, por favor.

não é todo dia que o absurdo na foto do cabeçalho de seu blog aparece na sua frente. cousas cousadas da cidade solar. érica, tira uma foto?

não é todo dia que o absurdo na foto do cabeçalho de seu blog aparece na sua frente. cousas cousadas da cidade solar. érica, tira uma foto?

me fale de Gaza.

Janeiro 20, 2009

eu ouvi. e ouvi e ouvi e ouvi. já sabia mais ou menos do que se tratava, só alguns detalhes empregatícios estavam enrolados aos da zona sul e aos subterrâneos. a menina estava de coração partido e aflita. mas disfarçava, tentava sentar ali e tomar uma cerveja. tentaria fazer com que eu a ouvisse. era só uma questão de tempo.

- ér… pois então, você aqui… legal… tomando cerveja? bom.. vim tomar uma também. ai. tanta coisa.

tanta coisa. acredito. o tempo todo. mas os motivos pra gente estar ali eram opostos. eu tava feliz. só queria ficar bem quieta como pra prolongar cada grão de sensação, sem me mexer, tudo ainda pregado na pele, sem mexer os grãos continuam lá. brilham contra a luz, até…

- putz, as pessoas… pera vou atender, com licença.

é as pessoas. um caso sério. as pessoas e as miniaturas, né D. Zara? não sei quais são mais impressionantes. acho que as pessoas, pois as miniaturas ficam quietinhas. cabem na mão. as pessoas não cabem nas mãos. nem nas duas mãos. nem nos dois braços e duas pernas.

- pronto. cara, eu devia desligar esse celular… mas é foda.

tá. vou perguntar. vamos lá.

- que foi, fia?

aí ela falou. falou e falou e falou. eu bebi e fumei e bebi e estralei os dedos. não precisava muito, era mais ouvir mesmo. a menina estava realemente triste. e realmente tentando fazer pouco caso, não dava pra tacar a testa na mesa, derrubar copos de cerveja perigando pegar em mim e depois chutar o cachorro. aí tem umas perguntas inofensivas que ainda dá pra gente fazer. aí a gente tenta:

- mulher… é. é foda. mas acontece. sei lá. pensa em Gaza.

- ?

- Gaza. o povo tendo que correr das bombas, deixando as casas. o que você voltaria pra buscar na sua casa?

ela riu. aeee. mas era sério.

- sério, o que você voltaria pra pegar?

- ?…. minha mãe.

- e só? né?

- é.

- e sua mãe tá onde?

- em casa.

- maravilha. pronto.

- Gaza é foda, né?

- é. eu não entendo nada. tu entende?

- o que? a faixa de Gaza?

- é. Gaza, Palestima, Hamas, Cisjordânia, muçulmanos, filisteus, ONU… não entendo porra nenhuma. mas sei que é foda.

- ah, eu entendo! claro.

- é mesmo?

- sim!

- pois me explique aí, qual o pró? porque a galera tá assim? o que tem em Gaza? o que o povo quer? onde tá o nó?

- ah, cara… é assim, ó…

e pronto. ufa. ela me explicou tudo. tudo e descreveu os videos no youtube sob o codinome “massacre em Gaza” que eu não tenho a menor intenção de ver. e explicando tudo isso ela foi vendo o tamanho do aperreio. as dimensões paralelas. a relatividade. as reais necessidades. respirar, ter alguém que se importe, que lhe espere (mãe, por exemplo), uma pessoa basta. ter comida. tomar banho. beber água, muita muita muita água. água limpa. comer. pronto. Gaza. Gaza apaziguou seu coraçãozinho sobressaltado. que coisa.

e agoura fefé?

Janeiro 8, 2009

tinha uma amiga no colégio que me vivia me dizendo isso aí. ela nem conhecia drummond. e eu ria pra caramba.

- meu ônibus passou!

- e agoura, fefé?

- erjgnaejkrngjkearngjnaerjgaer

o fato é que me propus a fazer algo que fiz em 2mil e 6: um zine semanal. ele se chama Domingo e vai ao mundo no dia seguinte. o primeiro já foi. e, pensando no segundo, percebi a cousa. ele se propõe a trazer histórias de mentira. inventadas. nada disso aconteceu. etc. mas aí tem esse blog aqui com propósito parecido e não quero repetir posts no papel. jizuz. gente, ajuda aí, me falem absurdos que tranformo em outros absurdos nível 4, com pitadas do vento que vai bater em mim, já que minha bicicleta chegou.

marco antonio, ailouviu!

marco antonio, ailouviu!