Noite, Beira-Mar.
- Mãããe! – a menininha passa correndo pela minha mesa seguida por outra, se estabacam no chão.
- Luísa, já tá cheia de areia! – a mulher trás uma bolsa enorme. Ele fica um momento em pé, atrás das 3, ele masca chicletes. Muito rápido se abancam, ela encaixa uma cadeira – pesada – na areia, ao lado da dele. As meninas parecem passarinhos.
- Posso pedir uma Coca, mãe?
Ele coça o nariz num gesto rápido e no seguinte apóia o cotovelo e segura o queixo. Mira o breu do mar. Está sem uma gota de paciência, eu sinto. A mãe grita pra maiorzinha:
- Margarida,na areia! NA AREIA, eu disse!
“Como foi seu dia?” ela havia perguntado e eu ouvi. Isso logo após a chegada em rebuliço. Ele, um homem mais jovem, pernas cobertas, tênis. Não era o pai. Ela, cabelos pintados, óculos. As meninas não falam com ele. Nem olham. A mulher está ali 3 em 1. Eles se beijam enquanto as meninas brincam de enterrar um canudo atrás das cadeiras dos dois.
Reinventam o submarino.
Março 9, 2009 às 6:51 pm |
ai fernanda. entrevejo entreescuto essa beira mar todos os dias.
é minha dose diária de teatro de verdade.
se eu juntasse e conseguisse todas as histórias que tenho visto-ouvido, dava um livro. aliás, dois. um de muito choro. o outro de piada.
noite de domingo, não a de ontem, aquela, pareceu contigo.
Março 22, 2009 às 11:31 am |
: )