Posts de Fevereiro, 2009

- prefiro que leiam pra mim.

Fevereiro 8, 2009

thereader

Uma pausa na narrativa ludovicense, plis.

Tem atrizes que me bastam para ver um filme. Kate Winslet é uma. E ontem fui ver O Leitor. Não esperava tanto peso, mas tinha. Escondia meu nariz dentro da camisa, me encolhia junto do Enrico. Eu penso em todas as cousas invisíveis que acontecem quando uma pessoa lê pra outra. Eu passo a vida pensando nisso, dentre outras cousas. É um dos atos de amor que mais me põem do avesso  – e por isso o Literatura de Lua existe há mais de 1 ano, também. E nessa cena aí ele lia um trecho do Amante de Lady Chatterley.

uma oficina dentro da outra – fome!

Fevereiro 7, 2009
diego fazendo um filme de helicóptero sobre a mini praia grande, lais e naiara.

diego fazendo um filme de helicóptero sobre a mini praia grande, laís e naiara.

        Fomos então pro Solar dos Vasconcelos deixar o material e depois almoçar. Lá é outro prédio histórico e foi o QG da organização durante todo o planejamento, hoje funciona como prédio público e é lá que fica o Salão de Maquetes, com toda a Praia Grande em miniaturas perfeitas. Tem um vídeo lá no you tube também, o povo me chamando pra ir almoçar e eu me passando e escorregando-quase-despencando degraus abaixo no Solar.

http://www.youtube.com/watch?v=An6zjLmbk8M&feature=channel_page

(aliás, a viagem toda está lá, ilustrada e se mexendo. Toda não, claro, mas algumas passagens merecedoras do registro.)

        Lá embaixo as oficinas de stencil e intervenção urbana se desenrolavam também. Um dos temas era o Guaraná Jesus, adorei!

        O povo ótimo e teenager e meio punks da organização me levou até o Museu Histórico e Artístico de São Luís, onde todo mundo almoçava. A fome e o resto da missão – fotocopiar tudo – não me deixou ver as coisas lá. Mas tudo bem. Eles se divertiam com meu assombro debaixo do sol, no meio da rua da cidade deles. Tinham paciência de Jó comigo e os hidrantes.

        Almoçamos juntos e bem ligeiro e foi no jardim do Museu que eu notei uma coisa. A oficina de zine estava na lista como auto-gestionada. E o mais curioso, estava acontecendo uma oficina dentro da outra. Sim, porque esse grupo que me escoltava pra tudo quanto era canto e com quem eu cruzava nas ruas várias vezes quando ficava lindamente à deriva estava pensando e tendo idéias e tendo VONTADE.

        - Ei. E se vocês fizessem um zine? O número dois desse de hoje de manhã.

        - Agora?

        - É, nesse tempinho entre o almoço e a ida na copiadora. Acho que dá tempo.

        Eles vibraram e toparam de pronto. (Bem que eu coloquei naquele postal: O ENTUSIASMO VALE MAIS QUE O DÓLAR.) Propus outro zine de bolso com 16 páginas falando dos bastidores do encontro, coisas que eles talvez não lembrariam daqui há 5 anos, comunicação, essa expectativa do Fórum Social Mundial e São luís.

         - Pode ser também como um ótimo cartão de visitas de vocês em Belém. E nele a gente põe nossos contatos. A gente tem cota de cópias pra isso, Diego?

         - A gente arruma!

         Punk rock total. E aproveitamos as mesas vagas do espaço/refeitório do museu e pra lá nos mudamos com as muitas mãos na obra. Ficamos lá nessa produção por umas duas horas e foi nesse tempo que consegui conversar com outros facilitadores do encontro. Pensei sobre os Lap Tops & Notebooks (parece nome de banda), esses fenômenos de nosso tempo. Tinham vários ligados com pequenos grupos fixos e flutuantes ao redor. Muito espontaneamente o povo acessava sites próprios e alheios para ilustrar conversas e pen drives rodavam a sala toda, num escambo de experiências que possibilitava uma troca muito ágil de material para ser lido e conhecido depois de tudo, depois que cada um tivesse ido pra casa. É, muita informação nova. Mas de um jeito bom, acompanhada de gente de carne e osso.

Oficina de zine – parte 2

Fevereiro 7, 2009

        Lá estavam Márcio e Renato acompanhados dessa vez por três mulheres, uma de farda da polícia, acho. Confirmei o que achava, eles eram menores infratores e estavam em regime semi-aberto, talvez. Depois de um breve bate-papo sobre cidades, partimos pra feitura das páginas do primeiro zine. Seria de bolso, com 16 páginas. As mulheres também participaram, menos a de farda. Uma era a Adócria, outra era a Sílvia. Sacaram os zines rapidinho e ajudaram a dar corda nos meninos. Sílvia falou de São Luís e do prazer que é ser também uma dançarina de tambor de crioula. Márcio falou um pouco do futebol que jogava em Imperatriz, sua cidade. O Renato…

       - Qual a tua cidade, Renato?

       - Hunmnm.. Não sei.

       Mas mesmo assim ele escreveu cousas e usou um postal da escultura do Niemayer (em São Luís) em outra página. Foi ótimo notar como a empolgação crescia à medida que íamos completando as 16 páginas e colando no original.

       - Ok, aí vou fotocopiar com os meninos da organização hoje de tarde e amanhã a gente monta trocentos zines desse aqui.

       - E a senhora vai fazer o que com eles?

       - Eu? Eu não, NÓS! Cada um aqui sai com pelo menos 20 pra entregar pra quem quiser!

       - E é?

       - Claro, é seu também. Você entrega pras pessoas com quem você quer conversar.

       Eles estavam começaaando a sacar do negócio. Enquanto isso o Diego ajudou bastante desenrolando umas cópias do zine da Zinco (Pequenas Explosões, sobre artivismo) e mostrando o dele mesmo, sobre maus-tratos aos animais e veganismo.

márcio, silvia, adócria eu e renato. e uns copins d'água.

márcio, sílvia, adócria eu e renato. e uns copins d'água.

       Fim da parte 2 da oficina, conversei com as educadoras sobre a série de oficinas que eu e Nico fizemos nas unidades de internação pra menores infratores em Fortaleza, em 2004. As páginas saíram muito parecidas. Elas me explicaram então que eram do Centro de Esperança e Juventude, acho que era esse o nome. Ficaram empolgadas em levar os zines pras outras turmas de lá. E percebi que no ritmo que as cousas estavam indo eu não ia ver nenhuma mesa redonda, quadrada, triangular… nada do resto da programação oficial do encontro. Mas tchudo bem. As pessoas falam mais e melhor em outras mesas – e até sem elas.

comece rezando, fernanda.

Fevereiro 7, 2009

         Manhã seguinte do segundo dia, sexta. Vesti a mesma roupa e desci pro café da manhã cheia de esperança.

        - Bom dia. A bolsa chegou?

        - Não senhora.

        Suspirei bem fundo. Ok, temos café. E uma hora e meia antes da parte 2 da oficina. Tomei café sozinha, havia uma mesa de outros convidados para o encontro acolá, mas eu tava muito lixo. Os meninos desceram quando eu tava no fim. A hora da oficina chegando e eu entre ficar preocupada, considerando a hipótese de ter minha bagagem de roupas engolida pela serpente que dorme embaixo da Ilha de São Luís do Maranhão ou arrumar os papéis + planos da oficina que já ia começar, tomar banho e esperar. Pego o elevador de volta pro quarto me olhando no espelho, muito amassada.

       - Oi, Fernandinha! – me diz uma senhora simpática e com rosto familiar e nada amassada.

       - Oi! – quem é ela, meu Deus? O busca nos arquivos da minha cabeça ia começar a fazer barulho quando ela percebeu.

       - Ísis, lá de Brasília. – ah, meu Deus, como eu queria estar melhor. – Vi seu nome na programação, achei ótimo!

       Ísis faz parte da equipe do MEC que criou a Conferência Nacional Infanto-Juvenil pelo Meio-Ambiente, e na qual vou trabalhar em março. Nos conhecemos numa reunião preparatória da equipe em Brasília, há uns 2 meses.

 

       Volto pro quarto e espero. Rezo. Na hora que devíamos estar lá, Celso bate na porta e me estende a mochila. Me pedia desculpas quando bati a porta pra trocar de roupa bem ligeiro e sairmos correndo. Conversamos no caminho. Segundo ele, Bruno havia dado as coordenadas de onde estava a mochila e lá estava também a bagagem misteriosa que veio parar no hotel de madrugada. Ninguém sabia de quem era, ainda. Dentro do carro, atravessando a ponte que liga o lado novo ao centro histórico da cidade, passando por sobre o Rio Anil, conversamos sobre o Sarney, o Tasso Jereissati de lá – o cara só se mantém ganhando no interior, nunca na capital. E o mais TRONCHO: Sarney pegou um prédio público pra fazer seu próprio mausoléu. ?!