foi pela alana. foi num escambo na Lua. troquei com ela algum livro por um livro duma mulher com um nome esgraçado: Miranda July. na capa, uma coisa mais estranha que o nome, o título: “É claro que você sabe do que estou falando” e uma foto de alguém de sexo indefinido, de tamanho esquisitíssimo (que só fui notar hoje, meses depois) e abraçando loucamente uma rruma de travesseiros brancos.

a-capa-com-ser-inrigante ou as-pessoas-podem-ser-maiores-do-que-imaginamos
alana merci. por ter comprado aquele livro, por ter lido, por ter levado pro escambo e por ter trocado comigo. era tudo o que eu precisava.
aí uma tarde qualquer, dias e dias depois, peguei e fui ler. degustar o livro. achei esquisita a foto dela na orelha, também. magra demais, cabelos doidos e um olhar de susto numa cara de cansaço. é a foto em que ela tá menos bonita de todas que já vi. sim, porque Miranda July é linda, não basta, não basta. e depois que li aqueles contos todos, fiquei com uma sensação igual aos dias muito cheios de cousas cousadas, cousas tronchas, súbitas, insólitas, lindas, sem a menor explicação e dados a nós de presente por algo Invisível e que, de algum modo, faz todo o sentido do Mundo.
saí pesquisando nos gúgous do mundo tudo o que podia sobre Miranda July. tive foi febre a medida que descobria mais cousas.
é tudo tão grave que perdi ônibus, faltei trabalhos, aluguei orelhas amigas em mesas de bar, ao telefone, chorei, me passei, me perguntava como pode como pode? a cada descoberta. o site oficial que lhe pede a senha, os assignements absurdos, os pôsteres escritos, o audiolivro, os vídeos no youtube, os botões, as performances que ela fazia antes dos shows de punk rock de meninas, os clips, o salto quebrado na entrevista, etc etc etc etc.
aí hoje a febre voltou de manhã, lá no Literatura de Lua. levei o livro e li pra joice, farad e fernanda lima o conto que mais gosto, “O garoto da Lam Kian”. dá pra você ler aqui (e o livro todo): http://fantastico.globo.com/Jornalismo/Fantastico/download/0,,3949-1,00.pdf
e depois que reli, as imagens continuaram surtindo efeito o dia todo, até agora. tô aqui pensando nela em algum lugar do mundoe querendo que ela tome muito cuidado ao atravessar a rua, naquele mesmo tipo de sensação que se tem ao pensar em alguém que se ama, que se quer bem e é precioso: cuidado! o mundo é doido e a gente é bem fragilzim.
aqui dá pra ver um dos vídeos dela (não curtas de ficção, mas se procurar dá pra achar esses também): http://www.youtube.com/watch?v=7RBir3jmQSc
é o How to Make Buttons. tem gente que não entende. acha que é bobagem, nonsense barato. eu não acho. eu me passo. e não vale explicar, ou você entende/capta/é atingido ou você simplesmente não sabe a senha. sem segregação ou papo-cult-cabeça-arte-contemporânea. vem antes.
quando tava no orkut achei uma comunidade que bolei de rir. é “Miranda July me entenderia”. sabe quantos membros têm? nenhum. e quando tentamos entrar, vai um pedido pro moderador e jamais na Terra a confirmação volta. será que é ela a dona da comunidade? nem duvido.
aí achei o bendito filme. logo ali, na aza vídeo vizinho ao shopping benfica. assisti bem sozinha, sem acender as luzes da sala depois que o sol se pôs. o filme é um capítulo à parte, chega por hoje. fica aqui o cartaz:

cartaz da versão japonesa. os cartazes das versões japonesas dos filmes me desfibram a alma.
essa cena é no final.
pronto, morremos.
puf!
ps: em tempo. karine, flávia, mariana, nico, alana. um beijo. vocês sabem exatamente do que estamos falando. e como já disse antes, amor é dar corda nas idiossincrasias alheias.
Dezembro 21, 2008 às 1:18 am |
adorei a miranda july.
adorei hoje. muito muito.
lembra que eu falei sobre os encontro que a vida oferece?
eu não disse ali, de palavra-dita, mas tu é uma das pessoas que eu encontrei. que eu olhei, reconheci e abracei muito forte.
acho que somos feitas, eu, tu e um punhado de gente que eu conheci esse ano, feitos da mesma matéria-prima. isso é bom. é muito ótimo, como diz tu.
beijosdeabraço
Dezembro 22, 2008 às 6:16 pm |
aí tu se passou, extendeu as passações e me fez mergulhar num mundo doido.
descortinou-se outra coisa, outros ares, outros ais.
meirelinhas, tu me fez ver essa mesmíssima cena antes mesmo d’eu vê-la.
\o/
Dezembro 23, 2008 às 6:14 pm |
é por isso que eu só amo na vida.
minhas vertigens de ternura.
também odeio umas coisas, mas é pouca. fernanda tu me ensina a amar melhor e mais.
sempre foi assim.
sempre sempre sempre.
estou de volta à poluiçao mas tenho dito: isso nao eh hora de acabar o ano.
Dezembro 27, 2008 às 3:02 am |
Mas afinal, do que ela está falando?
E como ela consegue segurar tantos travesseiros?
Janeiro 7, 2009 às 1:20 am |
ai2