Rio 3D

Outubro 12, 2009 por cousascousadas

O Rio de Janeiro cabe numa caixa. Mas é uma caixa de brinquedo grande, cheio de fotos de um lado e de outro, nas laterais também. Uma criança pequena precisará de ajuda pra carregar. Ao abrir é preciso usar as duas mãos, e todas as pecinhas menores caem desmontadas no seu colo. Umas peças maiores ficam no fundo da caixa, como as pedras do Arpoador, coladinhas uma na outra, a mansão do Parque Laje, a águia do Theatro Municipal, o Sambódromo.

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Os arcos da Lapa vem em módulos pra encaixar, o trilho que se forma sobre eles merece cuidado. Certo, é bem possível que uma criança mais ninja decida que o bondinho podia ficar no hipódromo, por exemplo.

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O Cristo Redentor (que aparece bem grande na foto da embalagem) não é uma peça grande, é das pequeninas, cuidado pra não perder, daí é toda a brincadeira que pode perder um pouco o sentido. Mas sua base original, onde ele deve ser encaixado, é das grandes, não tem como não ver. E se caso você perder o Cristo, fica um buraco lá no alto.

Faz-se bem-vinda a ajuda de um adulto pra montar a parte das fiações. Sim, esse é um brinquedo que acende. E, se montado direitinho, é bem capaz que algumas crianças prefiram brincar à noite, com as luzes da sala apagadas. Só assim vai dar pra ver como a luz dá sentido a essa mini-cidade, assim como também vai ficar mais fácil entender porque o nome escrito lá na caixa é Rio 3D. Quando os fios são ligados direitinhos o bondinho do Pão de Açúcar aparece pendurado em supostos passeios noturnos, a Lagoa reflete as luzinhas de seu entorno, o Cristo Redentor fica iluminado dum jeito que pode ser visto por quase qualquer habitante-bonequinho da cidade, mesmo que o adulto-ajudante resolva, no meio da montagem, soltar uma baforada de cigarro sobre o brinquedo, nublando o céu. Como as crianças são bem menores e, ao contrário dos adultos, adoram sentar no chão e ver os brinquedos nessa perspectiva horizontal, elas vão sacar esse efeito na hora. É provável que algumas confundam os morros acesos em infinitas luzinhas mínimas – Rocinha, Alemão, Cantagalo, Maré – com um estranho arbusto de Natal, achando que essas partes da cidade passam a vida esperando Papai Noel ou algo assim. Aí você explica o que é o algo assim, ao invés do Papai Noel.

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Tem também peças feitas para voar e navegar.

Das coisas que voam – ou se suspendem, planam no ar – tem os helicópteros. Eles ficam na beira da Lagoa, prontos para um passeio por sobre toda a cidade, depois de montada. Mas tem pecinhas bem menores também, como os ultraleves e parapentes.
Essas saem das peças grandes como a Pedra da Gávea e passam pertinho de outra enorme que é o Morro Dois Irmãos.

Cuidado pras crianças menores de 4 anos não engolirem os ciclistas da Floresta da Tijuca.

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As mais bélicas vão adorar os comandos em ação cariocas, até tanques eles tem! As crianças menorzinhas podem até achar que aquelas bazucas e metralhadoras ficam melhores como varas de pesca cujas linhas se afundam na Lagoa Rodrigo de Freitas (sim, tem uns peixinhos minúsculos pra pôr ali). O fundo da Lagoa é uma das peças grandes. Depois de ser preenchida com água, a gente põe em sua superfície uns pedalinhos em forma de cisne. Ao redor da Lagoa é onde a gente põe, depois de rasgar o mesmo saco plástico, as bicicletas de formatos variados.

Todas as portas dos prédios importantes e antigos são parecidas com os chocolates-surpresa: retângulos marrons com desenhos em alto e baixo relevo. Cuidado para as crianças não morderem, adicionando ao desenho entalhado a marca dos dentinhos.

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Outras peças de encaixe mais complicado são as dos túneis e viadutos, assim como os elevados. Os túneis são especialmente difíceis de montar, já que é preciso encaixar por debaixo das peças grandes e não é só isso: eles acendem por dentro. Cuidado pra não esquecer nenhum carrinho dentro deles.

Ah, o Maracanã, peça imensa, também acende! Não vem com bola, nem poderia. E ali perto dele tem uma calçada que – se for devidamente montada – forma uma partitura e pode até tocar música se você pôr a pilha embaixo dela e fazer um bonequinho atravessá-la no passo certo. Um sambinha, olha só.

Tem uns bonequinhos, também: o Drummond sentadinho num banco, o Noel sendo servido por um garçom numa mesinha de bar e um estudante de desenho com uma prancheta no colo. O desenho que ele tá fazendo você decide o que é dependendo de onde você quer colocá-lo, mas não vai dar pra ver, ele é uma das pecinhas menores de todas. Só com uma lupa você vai notar que ele usa all-star.

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ei, você aí

Setembro 28, 2009 por cousascousadas

enquanto os correios saem da greve.

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laerte, ailouviu

Setembro 27, 2009 por cousascousadas

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do que não se diz

Setembro 27, 2009 por cousascousadas

chega em pausas

cada uma é uma página de dicionário

dicionário ilustrado dicionário em braille dicionário de sinônimos dicionário de antônimos dicionário dos dias do ano dicionário para traduzir cada uma das curvas de cada uma das linhas das estratificações das folhas daquele outro país.

bateu o Caeiro

Setembro 13, 2009 por cousascousadas

Do que você realmente precisa? Água, comida, banho, uma cama, repouso. Papel e caneta. Roupas. Não muitas. (Nas melhores partes da vida estamos sem elas). Memorabilias não são pra sempre. Memorabilias são tocáveis e perecíveis. Podem ajudar a dar uma linha lógica – ? – à uma existência. O que você precisa carregar com você pra continuar sendo você mesmo? Carregar pressupõe peso. Levar é melhor. Levar é de um jeito menor e ainda assim tão maior.

- Enrico, você num tem problema de jogar um monte de coisa fora? Assim, juntar tudo numas caixas e pluncs, adeus! Se desfazer delas.

- Oura, a gente se desfaz dum monte de células todo dia e nem sente falta.

o peixim que morava dentro da montanha

Setembro 12, 2009 por cousascousadas

No Caxitoré a gente pode jogar pingue pongue. Depois de 2h e meia de viagem sertão adentro, a gente chega na casa grandona e bonita pra beber água de côco, ver soín comendo fruta da mão da gente, papagaios namorando, pavão empinando o rabo no sol, fazer fogueira e se cortar nos gravetos, prosear balançando na rede e sentir o ventinho frio da manhã misturado no cheiro de café que a família do Bob faz.

Lá celular não pega. As mensagens mais bonitas do mundo só me chegaram na volta, depois de cruzar alguma barreira invisível de raiozinhos. Lá a gente pode andar sem nada nas mãos, só um galho seco pra ir fazendo rabisco na terra ou um tamarindo bem travoso na boca já resolvem.

Eu ainda levo é coisa. Papel. Coisa de ler e de escrever. Cãmera pra bater foto e filmar. Cigarros. (Será que um dia eu páro de levar tanta coisa?)

Aí o Bob aponta o piso de pedra e diz:

“Tem uns peixins aqui, tá vendo?”

“?”

“Tá aqui, ó. Tá vendo não? Aqui!”

“Bob essa tua cerveja é qual?”

“Nããão… Olha aqui. Viu?”

E eu vi mesmo. Lá estavam eles, em alto-baixo relevo, uns peixinhos pequeninins, sabe deus desde quando presos dentro da pedra grande que é todo dia fatiada pra virar chão das casas. De mil casas.

“O sertão vai virar mar, o mar vai virar sertão.” Quem foi que disse isso primeiro? Antonio Conselheiro? Euclides da Cunha? Luiz Gonzaga? Beto Guedes? O Bob?

Ah, e me disseram que o piso daquele aeroporto onde o Tom Hanks mora, naquele filme e tals… veio todo daqui do Ceará.

Peixes-figurantes cinematográficos.

as escavadeiras atrapalhando o sono dos peixinhos.

as escavadeiras atrapalhando o sono dos peixinhos.

mas tá valendo

Julho 31, 2009 por cousascousadas

Some men here
They know the full extent of
Your distress
They kneel and pray
And they say :
Long may it last

 

 

é isso: they kneel

do joelho

knee

 

de estar de joelhos.

e saber.

they knew and pray

Julho 31, 2009 por cousascousadas

é o verso mais bonito – se é que dá pra dizer – da música mais bonita – se é que dá pra escolher – do Morrissey. na verdade a melodia ganha das palavras nessa música. e estive muitoausente porque isso aqui não é vida real. é flash de sonho. é pisco de luz. é charme.

 

o mundo real acontece aqui: www.fotolog.com/cidadesolar

e aqui dentro.

Tesla rules – parte 6 e FIM!

Julho 10, 2009 por cousascousadas
porque hoje seria aniversário do rapaz e até o google - tão troncho quanto ele - o homenageia

porque hoje seria aniversário do rapaz e até o google - tão troncho quanto ele - o homenageia

Entãão…. pra terminar a história-odisséia-epopéia Téslica, agradeço ao Farad por me revelar cousas tão cousadas e tronchas, a todas que leram tudinho e aos que não leram, aqui vai Nikola Tesla- em 5- segundos do Farad:

 

Há mais de 20 livros em inglês sobre Tesla.

Em menos de 2 décadas de herói do mundo ele passou a louco.

Tinha certeza sobre a vida alienígena e dizia ser urgente construir meios de se comunicar com eles.

Tinha aversão a desenhar e protótipos, não os fazia nunca, acreditava que eram coisas que distraíam.

Tesla era uma celebridade e muito bonito, causava furor quando aparecia em público, certa vez uma mulher quis beijá-lo a força o que o fez fugir correndo dela.

Quando morreu seu nome era o que possuía o maior número de patentes registradas no EUA.

Ele perdia o interesse assim que concluía um projeto e partia ao seguinte, inúmeras patentes foram registradas por seus assistentes, que sabidamente só executavam suas ordens.

Tesla era tão desinteressado por riquezas que chegou a rasgar o contrato que garantia sua parte nos lucros de Niagara Falls.

Ele preferia que suas assistentes pessoais fossem mulheres e escolhia como elas deviam se vestir.

Ele tinha horror a pérolas e insetos.

Antes tentou vender um projeto de navios controlados por controle remoto ao EUA, mas foi recusado (por causa de Edison). 

Dizem que foi inspiração para uma edição do Superman que não chegou a ser publicada. Superman contra o Raio da Morte. (Superman morria.)

 

a gente devia ir lá bater uma foto com ele. se bem que a estátua deve dar choque.

a gente devia ir lá bater uma foto com ele. se bem que a estátua deve dar choque.

O.o

Tesla rules – parte 5 de 6

Julho 10, 2009 por cousascousadas
laboratório do Nikola, demolido em 1917, depois de muito muito papouco.

laboratório do Nikola, demolido em 1917, depois de muito muito papouco.

Pra saber das outras partes, volta lá embaixo. Esse texto é do meu amigo Farad, já expliquei. Ele escreveu a pedidos, pra que eu partilhe com vocês uma das mais legais histórias de bar que já ouvi. E foi real! Meus comentários estão numerados.

 

              Se tudo isso não fosse controverso o bastante, tem a história dO Raio da Morte, uma arma supostamente criada por Tesla. Obstinado em seu sonho, completamente falido, com adversários poderosos e sob vigilância do governo, ele tenta uma aproximação com os militares, até chega a vender uma sofisticada turbina, mas para os alemães, que com a guerra não lhe gerou lucro algum. Sob o pretexto de garantir a paz definitivamente (1) Tesla teria criado o tal raio da morte. A idéia era criar um raio concentrado usando o princípio do crescente ressonante, que serviria basicamente para  destruir objetos como bombas em pleno ar.

              No dia 30 de julho de 1908 o aparato teria sido montado em seu laboratório apontado para o norte, pois uma expedição rumo ao Pólo Norte poderia dizer a Tesla se o raio alcançaria tal distância. Mas a expedição de Robert Peary nada viu. Naquela noite Tesla teria ligado o raio que pareceu muito modesto, até que uma coruja desavisada foi desintegrada pelo mesmo (2), o que encerrou o teste naquela noite. Nos dias seguintes chegou ao conhecimento público que uma grande explosão teria varrido do mapa a Floresta de Tunguska, o que bastou para Tesla ter certeza do poder assombroso da arma que teria criado e bastou para agradecer a Deus, pois ninguém teria morrido na explosão.

            Tunguska é até hoje a maior explosão conhecida pelo homem na era moderna. Não se sabe ao certo, mas se especula que foi de 15 megatons, o que é mil vezes a bomba de Hiroshima e há quem diga que chegou a 30 megatons. O evento de Tunguska até hoje é sem explicação clara, pois para a ciência uma explosão dessa magnitude só pode existir dum impacto de um meteorito ou dum cometa, e dos grandes, mas nunca houve uma cratera de impacto. (3) Daí as mentes mais brilhantes bolaram as explicações mais mirabolantes para não admitir que um dia existiu, ou existe, sei lá, uma coisa tão inacreditável quanto uma arma portátil como essa. Com a ameaça de uma segunda Guerra Tesla teria se oferecido para remontar tal arma, ao que ele foi respondido com uma carta de apreciação da secretária do presidente Wilson.

          Muito tempo depois teria feito a ultima tentativa de ajudar o EUA . Em 1917 ele teria se oferecido para montar um raio explorador, que era sem tirar nem por igual ao radar que temos hoje. Mais uma vez Thomas Edison barrou o projeto (4). Em 7 de janeiro de 1943, Nikola Tesla morreu em Nova York aos 87 anos, num apartamento cheio de pombos que ele cuidava e considerava seus últimos amigos (5). Ou seja, ele viveu foi tempo esquecido e sem dinheiro. Foi cremado e suas cinzas encontram-se em uma esfera de ouro, sua forma favorita, no Museu Tesla em Belgrado.

  1. Algo como “quebra-tudo-mais-que-tudo”. E, de fato, com todo mundo morto, haveria paz eterna. E coletiva.
  2. ngjnrgjkanerjgnarejgnae (rsrsrs)
  3. ??!!
  4. Thomas Recalque Edison
  5. Decerto não seriam as corujas.